Um novo litro de óleo custa muito menos do que um problema de saúde causado pelo uso inadequado (Diuvlgação) Guardar o óleo usado para “fritar mais uma vez” é uma prática comum nas cozinhas brasileiras, seja por economia, praticidade ou até por tradição. Mas o que parece uma atitude inofensiva pode, na verdade, trazer riscos para a saúde e para o meio ambiente, especialmente quando o mesmo óleo é reutilizado diversas vezes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo especialistas em nutrição e química alimentar, reaproveitar o óleo altera sua estrutura química, tornando-o potencialmente tóxico e favorecendo a formação de compostos prejudiciais ao organismo. Quando o óleo é aquecido repetidas vezes, ele sofre oxidação e começa a liberar substâncias que podem causar inflamação e aumentar o risco de doenças cardiovasculares e até câncer. O que acontece com o óleo ao ser reutilizado? Durante o processo de fritura, o óleo atinge temperaturas muito elevadas (geralmente acima de 180°C). Esse calor intenso quebra as moléculas de gordura, gerando radicais livres, compostos instáveis que danificam células e tecidos. A cada novo aquecimento, o óleo perde estabilidade e passa a produzir aldeídos, peróxidos e acroleína, todos com potencial tóxico. Além disso, o alimento frito libera resíduos (como farinha, empanados e restos de tempero) que permanecem no óleo e aceleram sua degradação. O resultado é um líquido escurecido, com cheiro forte e sabor amargo — sinais claros de que o óleo já não serve para o consumo. Os riscos à saúde O consumo de alimentos preparados em óleo reaproveitado pode causar: Aumento do colesterol ruim (LDL) e redução do colesterol bom (HDL); Maior risco de inflamações, gastrites e desconfortos intestinais; Formação de substâncias cancerígenas, como a acroleína e os hidrocarbonetos policíclicos; Sobrecarregamento do fígado, que precisa trabalhar mais para metabolizar os compostos tóxicos. É um risco silencioso, porque os efeitos não aparecem de imediato. O problema é o acúmulo dessas substâncias no organismo ao longo do tempo. Quantas vezes o óleo pode ser usado? A recomendação geral é evitar reutilizar o óleo, mas, caso seja realmente necessário, o ideal é limitar o uso a no máximo duas vezes, desde que ele seja filtrado com papel-toalha ou peneira fina, armazenado em recipiente fechado e mantido longe da luz e do calor. O tipo de alimento frito também faz diferença: Alimentos empanados ou com farinha degradam o óleo rapidamente; Batatas e legumes puros tendem a deixar o óleo mais “limpo” por mais tempo. Se o óleo estiver escuro, espesso ou com cheiro forte, deve ser descartado imediatamente. E o que fazer com o óleo usado? Descartar o óleo pelo ralo é outro erro comum e ambientalmente grave. Um litro de óleo despejado incorretamente pode contaminar até 25 mil litros de água, entupir encanamentos e poluir rios. A alternativa correta é armazená-lo em garrafas plásticas e levar a pontos de coleta seletiva, que fazem o reaproveitamento do material para a produção de sabão, biodiesel e produtos de limpeza. Muitas cidades já possuem programas municipais de reciclagem de óleo de cozinha, e alguns supermercados recebem o resíduo.