A queda de cabelo persistente em mulheres nem sempre está ligada apenas ao estresse, uso de química ou alterações hormonais. Em muitos casos, o problema pode estar associado à ferritina baixa — marcador que indica as reservas de ferro do organismo — mesmo quando o hemograma ainda apresenta resultados considerados normais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Esse cenário pode atrasar o diagnóstico e fazer com que uma deficiência de ferro em fase inicial passe despercebida. Segundo especialistas, a hemoglobina avalia a capacidade do sangue de transportar oxigênio, mas não mostra sozinha se os estoques de ferro do corpo estão adequados. Já a ferritina ajuda justamente a identificar essa reserva. Quando os níveis de ferritina caem, o organismo tende a priorizar funções vitais e reduzir recursos destinados a tecidos de renovação rápida, como o folículo piloso. O resultado pode ser uma queda difusa dos fios, afinamento capilar e aumento perceptível de cabelo no travesseiro, no banho ou na escova. Mulheres são mais afetadas A deficiência de ferro sem anemia instalada é relativamente comum entre mulheres, especialmente após períodos de menstruação intensa, pós-parto, dietas restritivas ou alterações intestinais que dificultam a absorção do nutriente. Nesses casos, pode surgir o chamado eflúvio telógeno, condição caracterizada pela queda difusa dos fios em diferentes regiões do couro cabeludo. Pesquisa reforça relação entre ferritina baixa e queda capilar Um estudo publicado em 2025 avaliou mulheres com eflúvio telógeno e identificou níveis médios de ferritina significativamente mais baixos em comparação com mulheres sem queda difusa de cabelo. O dado chamou atenção porque muitas participantes apresentavam hemoglobina dentro da normalidade, reforçando que um hemograma normal não exclui deficiência de ferro em estágio inicial. Pesquisas recentes também apontam que mulheres com alopecias não cicatriciais frequentemente apresentam reservas reduzidas de ferro, o que fortalece a importância da investigação laboratorial adequada. Quando a queda merece atenção? Embora o estresse possa provocar queda temporária dos fios, alguns sinais indicam que é importante procurar avaliação médica: queda intensa por mais de dois ou três meses; afinamento global do cabelo; aumento de fios na escova, travesseiro e ralo; cansaço frequente e sensação de fraqueza; unhas quebradiças; maior sensibilidade ao frio; histórico de menstruação intensa ou parto recente; dietas muito restritivas. Quais exames ajudam na investigação? Especialistas explicam que a investigação da queda capilar costuma ir além do hemograma tradicional. Entre os exames mais solicitados estão: ferritina; ferro sérico; saturação de transferrina; vitamina B12; folato; TSH, para avaliar a tireoide; vitamina D; zinco. A análise clínica e a avaliação do couro cabeludo também ajudam a diferenciar o eflúvio telógeno de outros tipos de alopecia. Tratamento depende da causa Quando a ferritina baixa é confirmada, o tratamento depende da origem da deficiência de ferro. Pode ser necessário corrigir sangramentos menstruais intensos, melhorar a alimentação ou tratar alterações intestinais que prejudiquem a absorção de nutrientes. A suplementação de ferro deve ser feita apenas com orientação médica, já que o excesso também pode trazer riscos e efeitos colaterais gastrointestinais. Além disso, médicos costumam recomendar aumento da ingestão de alimentos ricos em ferro e vitamina C, que melhora a absorção do mineral. Quando procurar ajuda rapidamente? A recomendação é buscar avaliação médica sem demora quando a queda de cabelo vier acompanhada de: falta de ar; fadiga intensa; perda de peso inexplicada; falhas localizadas no couro cabeludo; coceira persistente; piora progressiva da densidade dos fios. Especialistas destacam que observar apenas a hemoglobina pode não ser suficiente para entender a origem da queda capilar. Por isso, avaliar a ferritina e outros exames laboratoriais ajuda a identificar causas metabólicas e nutricionais do problema de forma mais precisa.