A hemodiálise é um tratamento essencial para milhares de brasileiros que convivem com insuficiência renal. Embora seja amplamente conhecida, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre como o procedimento funciona e em quais situações ele passa a ser indispensável. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), quase 180 mil pessoas fazem diálise atualmente no Brasil. O tratamento atua como um "rim artificial", filtrando o sangue quando os rins deixam de desempenhar adequadamente essa função. Segundo a nefrologista Dra. Daphnne Camaroske Lopes, da Fenix Nefrologia, a hemodiálise é indicada quando a função dos rins está gravemente comprometida, seja por uma doença renal crônica ou por um quadro agudo. "A hemodiálise costuma ser necessária em casos de insuficiência renal avançada e pode ser indicada tanto em situações crônicas quanto agudas", explica. Como funciona a hemodiálise? Os rins são responsáveis por filtrar o sangue, eliminando toxinas, excesso de líquidos e outras substâncias que o organismo não consegue aproveitar. Quando deixam de cumprir essa função, esses resíduos passam a se acumular no corpo, colocando a saúde em risco. Nesses casos, entra em cena a hemodiálise. Durante o procedimento, o sangue é retirado do organismo por meio de um acesso vascular e levado até uma máquina equipada com um filtro especial, chamado dialisador. Esse equipamento remove toxinas, resíduos e o excesso de líquidos acumulados no organismo. Após a filtragem, o sangue retorna limpo ao corpo. Em geral, o tratamento é realizado em clínicas especializadas três vezes por semana, com sessões que duram aproximadamente quatro horas. Quando a hemodiálise é indicada? A insuficiência renal pode evoluir de forma silenciosa e só apresentar sintomas quando a perda da função dos rins já está avançada. Entre as principais causas da doença estão: hipertensão arterial; diabetes; predisposição genética; doenças autoimunes; uso excessivo de alguns medicamentos. Por isso, pessoas com esses fatores de risco devem manter acompanhamento médico regular e realizar exames periódicos. Como o tratamento muda a rotina? Além dos cuidados médicos, a hemodiálise exige mudanças importantes no dia a dia dos pacientes. Segundo a Dra. Daphnne, a necessidade de comparecer às sessões várias vezes por semana impacta a rotina física, emocional e social. "O tratamento exige uma adaptação importante na rotina, já que os pacientes precisam comparecer às sessões com frequência semanal. A hemodiálise impacta não apenas a rotina física, mas também emocional e social do paciente." Apesar dos desafios, ela ressalta que muitos pacientes conseguem manter uma vida ativa. "Com acompanhamento adequado, muitos conseguem manter suas atividades diárias, trabalhar e ter qualidade de vida." Tecnologia traz mais conforto Nos últimos anos, os avanços tecnológicos têm tornado o tratamento mais eficiente e confortável. Hoje, clínicas especializadas utilizam equipamentos capazes de controlar com maior precisão a filtragem do sangue e a retirada de líquidos, reduzindo riscos e complicações durante as sessões. Entre as tecnologias disponíveis está a hemodiafiltração, considerada uma evolução da hemodiálise convencional. "Contamos com máquinas mais modernas, capazes de realizar um controle mais preciso da filtragem do sangue e da retirada de líquidos, reduzindo complicações durante o procedimento. As melhorias nos filtros, nos sistemas de monitoramento e na individualização do tratamento têm aumentado o conforto e a segurança dos pacientes", explica a nefrologista. Prevenção ainda é o melhor caminho Embora a hemodiálise seja um tratamento capaz de salvar vidas, os especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal estratégia para reduzir os casos de insuficiência renal. Controlar doenças como hipertensão e diabetes, evitar a automedicação, manter hábitos saudáveis e realizar consultas médicas periódicas são medidas fundamentais para preservar a saúde dos rins e identificar precocemente alterações que podem evoluir de forma silenciosa.