Theo, Isabella e Júlia veem na Câmara Jovem de Santos uma oportunidade de transformação da sociedade (Alexsander Ferraz/AT) Falar no plenário, defender ideias e discutir temas da cidade pode parecer algo distante para muitos adolescentes, mas essa já é a realidade de estudantes que participam do projeto Jovens Vereadores, em Santos. A iniciativa dá a chance de que a geração Z conheça de perto como funciona a Câmara Municipal e entenda, na prática, o impacto da política no dia a dia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Jovem não gosta de política” ou “esse assunto não interessa para eles” ainda são frases bastante repetidas. Mas, na prática, a realidade pode ser diferente. A ideia é que, no futuro, cada vez mais jovens continuem fazendo a diferença e participando ativamente de discussões que impactam a sociedade. Para alguns, esse interesse por política surge ainda na infância. É o caso da estudante e presidente da Câmara Municipal dos Jovens Vereadores da 10ª Legislatura, Isabella de Almeida Baptista Cunha, de 14 anos. Ela conta que sempre gostou de debater, conversar sobre os mais diversos assuntos, ajudar o próximo e ouvir diferentes opiniões. “Política nunca é ‘tanto faz’, porque, mesmo quando a gente decide não participar, as decisões continuam sendo tomadas e acabam afetando nossa vida do mesmo jeito. Política está nas leis que garantem nossos direitos, na qualidade da escola pública, no transporte que usamos, nas oportunidades de emprego, na saúde e até no acesso à cultura e tecnologia. Se os jovens se afastarem desse debate, outras pessoas vão decidir o futuro por nós”. #MUDANÇA&TRANSFORMAÇÃO Por outro lado, a estudante, atriz e também jovem vereadora Júlia Cassilhas, de 16 anos, enxerga na política uma ferramenta de transformação social e encontrou nela uma causa pela qual pretende lutar. Desde cedo, pautas sociais despertavam sua atenção e a vontade de aprender mais sobre esses temas. “Os jovens precisam entender que política não é apenas sobre partidos ou polarização, mas sobre sociedade, direitos, deveres e justiça social”. Criação de leis, debates sobre direitos e indicações para melhorias na cidade fazem parte de decisões que impactam diretamente a sociedade como um todo. Para o estudante Theo Van Der Haagen Rodas, de 13 anos, a política também se mostrou uma forma de unir as pessoas e ajudar o próximo de maneira consciente. “Ter o jovem na política é muito importante, pois ele é o futuro do Brasil”. #ASMULHERES&APOLÍTICA Santos é considerada a cidade mais feminina do Brasil, mas, ainda assim, a representatividade das mulheres em espaços políticos segue pequena. Na Câmara Municipal, por exemplo, só há uma vereadora. Já no projeto Jovens Vereadores, mais garotas vêm ocupando esse espaço e fazendo história. “Ver a Câmara Jovem tão repleta de meninas inteligentes, fortes e participativas é algo extremamente inspirador. Desde o primeiro dia, senti um apoio muito grande entre nós, e isso mostra como essa geração feminina está cada vez mais preparada para ocupar espaços que durante muito tempo nos foram negados”, destaca Júlia. #OPROJETO O analista urbano e coordenador da Câmara Jovem de Santos, Lucas Carvalho, explica que o projeto foi criado em 2013 para aproximar os estudantes da política e do funcionamento do Legislativo. Mais do que uma simulação parlamentar, a iniciativa busca incentivar a participação cidadã, fortalecer o protagonismo juvenil e mostrar aos estudantes que suas vozes também podem impactar a cidade. Durante o programa,os jovens aprendem sobre democracia, representação política, políticas públicase funcionamento do Estado, além de participarem de sessões, debates e atividades externas em diferentes regiões do município. Atualmente, o projeto reúne 21 escolas de Santos, que elegem um jovem vereador titular e um suplente cada. “Todos os trabalhos apresentados por eles possuem encaminhamentos reais: as indicações são enviadas aos órgãos responsáveis da Prefeitura, visando à realização das intervenções e melhorias; os requerimentos de informação seguem para as secretarias, a fim de que prestem os esclarecimentos solicitados; e os projetos de lei, quando aprovados pelo plenário da Câmara Jovem, são remetidosà Mesa Diretora eaos vereadores da Câmara de Santos, que podem encamparas propostas e, se aprovadas, tornarem-se de fato leis municipais e políticas públicas”, ressalta.