Produção industrial avança 0,7% em abril, acumula quatro meses consecutivos de alta e já supera em 4,7% o nível registrado antes da pandemia (AdobeStock) A indústria brasileira vive um momento positivo, de acordo com dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento em abril foi de 0,7%, em comparação com o mês de março deste ano. No acumulado de 2026, o número é positivo em 4,4%. A boa notícia é que a indústria está 4,7% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020). Para o analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano, há razões para otimismo, embora o segundo semestre de anos com eleições presidenciais seja normalmente com abalos provocados por crises e possibilidades de fuga de capital. “Vemos um cenário bastante positivo, na comparação em relação a 2025. Há uma perspectiva bastante interessante para a atividade industrial”, aponta, referindo-se ao comparativo de abril de 2026 e abril de 2025, com índice positivo em 2,7%. Setores Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram assinaladas por indústrias extrativas (3,1%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,1%), ambas crescendo pelo quinto mês consecutivo. Outras contribuições positivas relevantes vieram de produtos de borracha e de material plástico (3,1%), madeira (8,5%), produtos têxteis (4,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (2,2%). Por outro lado, entre as atividades que mostraram recuo na produção, a de produtos químicos (-3,9%) exerceu a principal influência na média da indústria e eliminou parte do avanço de 4,5% verificado em março. Destaca-se também negativamente os setores de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-6%), máquinas e equipamentos (-2,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,7%) e metalurgia (-1%). “No caso da indústria extrativista, o Brasil tem uma capacidade bastante importante de apresentar respostas a esse cenário, pois é grande exportador desses itens, Isso contribuiu para que o setor apresentasse um resultado positivo nessas atividades”, acrescenta Mariano. Já em relação às categorias econômicas, na comparação com o mês imediatamente anterior, a de bens intermediários (matérias-primas, peças ou insumos utilizados no processo de fabricação de outros produtos), com 1,5%, mostrou a maior expansão em abril e cresceu pelo quarto mês seguido, acumulando crescimento de 6,0%. Já o setor produtor de bens de capital (0,1%) também avançou neste mês, mantendo o comportamento positivo iniciado em janeiro de 2026 e acumulando ganho de 6,7% neste período. Por outro lado, os bens de consumo semi e não duráveis (-0,2%) e de bens de consumo duráveis (-3,2%) registraram queda em abril de 2026. Ambos interromperam três meses consecutivos de expansão na produção. “Em um cenário internacional com combates armados no Oriente Médio, por exemplo, a gente tem um espraiamento, porque há setores que têm se beneficiado e outros setores que são mais suscetíveis, especialmente o setor agroindustrial, que está um pouco mais influenciado. Mas como o Brasil atravessou esse cenário com resiliência, acredito que as perspectivas sejam mais favoráveis, até porque já vislumbra uma tentativa de equacionamento dos conflitos”, pondera o analista.