A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, atinge milhões de brasileiros e é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. O que muita gente não sabe é que, em parte dos casos, o problema pode ter origem hormonal — e acabar passando despercebido por anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um dos quadros associados é o aldosteronismo primário, também chamado de hiperaldosteronismo primário ou síndrome de Conn. A condição ocorre quando as glândulas suprarrenais produzem aldosterona em excesso. Esse hormônio é responsável por regular os níveis de sódio, potássio e o volume de líquidos no organismo. Quando há desequilíbrio, o resultado pode ser retenção de sódio, perda de potássio e aumento persistente da pressão arterial. Apesar de ser uma causa tratável, o diagnóstico ainda é pouco investigado na prática clínica. Segundo a endocrinologista Marilia Bortolotto Felippe Trentin, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), muitos pacientes convivem com a hipertensão por longos períodos sem saber que há um distúrbio hormonal por trás do problema. “Trata-se de uma causa de hipertensão que pode ser controlada, mas ainda é subdiagnosticada. Falta incorporar a triagem aos atendimentos de rotina”, explica a especialista. Sintomas podem dar pistas O aldosteronismo primário costuma estar associado à chamada hipertensão resistente, aquela de difícil controle mesmo com uso de medicamentos. Além disso, outros sinais podem surgir, como: dores de cabeça frequentes alterações na visão fadiga câimbras sintomas ligados à queda de potássio no organismo Adultos entre 30 e 50 anos estão entre os mais propensos a desenvolver a condição. Diagnóstico exige atenção A investigação geralmente começa com exames de sangue em jejum. No entanto, a especialista alerta que a variação natural dos hormônios ao longo do dia pode interferir nos resultados, o que aumenta o risco de falsos negativos. Por isso, entender o momento correto da coleta e interpretar os dados com cautela são passos fundamentais para um diagnóstico preciso. Tratamento varia conforme a causa Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento depende da origem do excesso de aldosterona. Quando o problema afeta as duas glândulas suprarrenais (hiperplasia bilateral), a abordagem costuma ser clínica, com uso de medicamentos que bloqueiam a ação do hormônio. Já nos casos em que há um nódulo produtor em apenas uma das glândulas, a cirurgia pode ser indicada — e, em muitos casos, normaliza a pressão arterial. Especialistas reforçam que ampliar o conhecimento sobre o tema e incluir a triagem nos protocolos pode evitar complicações e melhorar a qualidade de vida de pacientes que hoje convivem com a hipertensão sem saber sua verdadeira causa.