Suar é sinal de que seu corpo está trabalhando para regular a temperatura. Mas, suar muito não é sinônimo direto de queima de gordura (Divulgação / freepik) Suar durante o treino dá aquela sensação imediata de “trabalho feito” e é fácil cair na ideia de que quanto mais você transpira, mais gordura está queimando. A verdade é mais complexa: o suor serve principalmente para regular a temperatura do corpo, e não é uma medida direta do gasto de gordura. Para emagrecer de forma sustentável, é preciso entender a diferença entre perda de líquidos e perda de tecido adiposo, além de combinar intensidade de treino, duração, alimentação e recuperação. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Suor: o que realmente é e por que ele aparece O suor é um mecanismo de termorregulação: quando a temperatura corporal sobe por esforço, ambiente quente ou roupas pesadas, glândulas sudoríparas liberam líquido que, ao evaporar, resfria a pele. A quantidade de suor varia muito entre indivíduos por fatores genéticos, nível de condicionamento, aclimatação ao calor e ambiente (um treino no verão tende a gerar mais suor que o mesmo treino no inverno). Condições médicas também influenciam: hiperidrose, por exemplo, causa sudorese excessiva independente do esforço. Mito x Verdade: suar emagrece? Mito: suar muito significa que você está queimando mais gordura. Verdade: o suor é, em grande parte, perda de água. O peso que some na balança depois de um treino intenso em ambiente quente costuma ser reconstituído quando o corpo é reidratado — não se trata de gordura perdida. Em termos de queima de calorias e gordura, o que conta é o gasto energético (intensidade + duração do exercício) e o balanço calórico ao longo do tempo. Como o corpo queima gordura durante o exercício? A utilização de gordura como combustível depende do tipo, intensidade e duração do exercício e do nível de condicionamento do praticante. Em atividades de moderada intensidade e maior duração, a participação relativa da gordura no fornecimento de energia tende a aumentar; em esforços muito intensos predomina o uso de carboidratos. Porém, o déficit calórico diário, fruto de alimentação e atividade, é o motor real da perda de gordura corporal. Recomendações internacionais indicam metas mínimas de atividade física para saúde que também ajudam no controle de peso quando combinadas com dieta adequada. O que dizem as autoridades e estudos? Entidades de referência em saúde e exercício alertam que o foco exclusivo no suor é enganoso. A Organização Mundial da Saúde e órgãos científicos recomendam programas de atividade que privilegiem frequência, intensidade e progressão segura; o American College of Sports Medicine (ACSM) enfatiza a importância de combinar exercícios aeróbicos e de força, além de orientações sobre hidratação e reposição de fluidos. Para perda de peso sustentável, a evidência científica aponta que a prática regular de exercícios, associada à redução controlada de calorias, é a abordagem mais eficaz. Orientações práticas: como usar o exercício para emagrecer (sem confundir suor com resultado) Priorize déficit calórico sustentável: o exercício ajuda — e muito — mas sem controle da ingestão calórica a perda de gordura será limitada. Combinação é chave: inclua treinos aeróbicos (para gasto calórico) e treinos de força (para manter/aumentar massa magra e melhorar metabolismo). Foque em intensidade e duração adequadas: intervalos de alta intensidade (HIIT) queimam muitas calorias em menos tempo; sessões contínuas prolongadas também utilizam porcentagens maiores de gordura como combustível dependendo do ritmo. Escolha o que se encaixa ao seu perfil e rotina. Não use suor como termômetro do progresso: registre desempenho (carga, tempo, repetições), medidas corporais e consistência ao longo das semanas — esses são indicadores reais de mudança. Hidratação e reposição: perder muitos líquidos reduz desempenho e pode ser perigoso; estratégias de reposição antes, durante (para sessões longas/intensas) e depois são fundamentais. O ACSM tem diretrizes práticas sobre reposição hídrica para praticantes. Perigos de procurar “mais suor” a qualquer custo Táticas como treinar com roupas que retêm calor, ambientes extremamente quentes ou usar saunas para “secar” o corpo podem causar desidratação, perda de eletrólitos, queda de rendimento e risco de síncope ou problemas mais graves. A perda de peso imediata nesses casos é temporária (água) e arriscada se repetida. Para quem busca composição corporal, a estratégia certa é gradualidade e segurança. Casos especiais: quem pode suar menos e ainda queimar muito — e vice-versa Atletas muito acostumados ao calor podem suar mais e mais cedo (aclimatização). Pessoas com maior massa muscular tendem a produzir mais calor metabólico e, portanto, podem suar mais em esforço similar. Já indivíduos com baixa sudorese podem estar queimando calorias significativas, mesmo sem muita transpiração visível. Por isso, comparar suor entre pessoas é inútil para avaliar eficácia do treino.