Os ataques felinos podem ocorrer por diferentes motivos (Carlos Nogueira / AT) Você está fazendo carinho no seu gato e, de repente, leva uma mordida ou um arranhão? Esse comportamento, aparentemente imprevisível, é mais comum do que se imagina e tem explicações científicas, segundo veterinários e especialistas em comportamento felino. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Gatos são animais sensíveis ao ambiente e ao toque. A agressividade contra o tutor nem sempre é sinal de maldade ou desobediência — na maioria dos casos, indica incômodo, medo, estresse ou comunicação falha entre humano e pet. De acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e estudos de etologia (ciência do comportamento animal), os ataques felinos podem ocorrer por diferentes motivos, e saber interpretá-los é fundamental para manter o bem-estar do animal e do tutor. Principais causas dos ataques de gatos a tutores 1. Estímulo excessivo (overstimulation): Alguns gatos toleram carinho apenas por curtos períodos. Quando esse limite é ultrapassado, o felino pode reagir com uma mordida leve ou arranhão. Isso é comum, por exemplo, em carícias contínuas nas costas, barriga ou cauda. 2. Brincadeiras mal interpretadas: Gatos são predadores por instinto. Se você usa as mãos para brincar diretamente com eles, o animal pode confundir esse gesto com um estímulo de caça e atacar. O ideal é usar brinquedos intermediários, como varinhas e bolinhas. 3. Medo ou trauma: Um barulho repentino, movimento brusco ou a presença de desconhecidos pode deixar o animal assustado. Nesses casos, ele pode atacar por instinto de defesa. 4. Dor ou problema de saúde: Algumas doenças causam dor crônica (como artrite, problemas dentários ou feridas internas) e tornam o toque incômodo. Um gato que antes era dócil pode se tornar agressivo ao ser tocado em uma área sensível. 5. Estresse e ambiente inadequado: Mudanças na rotina, brigas com outros animais ou ausência de enriquecimento ambiental (como arranhadores e locais para subir) podem causar ansiedade no gato, que se manifesta por meio de agressividade. A linguagem corporal do gato: sinais de alerta Antes de atacar, o gato costuma emitir sinais corporais que indicam incômodo. Aprender a reconhecer esses sinais pode evitar acidentes: Orelhas voltadas para trás ou achatadas Pupilas dilatadas Cauda balançando rapidamente ou eriçada Corpo encolhido ou pronto para o salto Rosnados ou sopros O que fazer (e não fazer) quando seu gato te ataca? O que fazer: Interrompa imediatamente o contato e dê espaço ao gato. Identifique o que desencadeou a reação (toque, ambiente, som). Promova o enriquecimento do ambiente: prateleiras, brinquedos, locais de descanso em altura. Reforce o vínculo com carinho breve e positivo. Em casos frequentes, consulte um veterinário comportamentalista. O que não fazer: Nunca grite, bata ou “castigue” o gato. Isso reforça o medo e agrava o comportamento. Evite o contato direto durante o ataque — espere o animal se acalmar. Quando procurar ajuda profissional? Se o gato passou a atacar de forma repentina ou frequente, procure um veterinário ou especialista em comportamento felino. O ataque pode ser reflexo de dor ou condição médica que só um profissional pode diagnosticar. Instituições como o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) e o Instituto Pet Brasil recomendam acompanhamento contínuo e cuidados integrados com a saúde física e emocional dos felinos.