O caldo de osso, receita ancestral que promete fortalecer articulações, pele e intestino, está em alta entre nutricionistas e amantes da boa comida (Reprodução) De avós a atletas, o caldo de osso também conhecido como bone broth, está de volta às mesas e às redes sociais. O que antes era visto como uma receita caseira, simples e rústica, hoje se tornou símbolo de alimentação funcional e saudável, defendido por médicos e nutricionistas que exaltam seus benefícios regenerativos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nos Estados Unidos, o caldo ganhou status de “superfood” e virou tendência em cafeterias e restaurantes de bem-estar. No Brasil, o movimento segue o mesmo caminho: influenciadores de saúde e chefs de cozinha vêm resgatando o preparo ancestral como uma alternativa natural e nutritiva a sopas industrializadas e suplementos artificiais. É um alimento com valor biológico altíssimo. Durante o cozimento, os ossos liberam colágeno, aminoácidos e minerais essenciais, como cálcio, magnésio e fósforo, que são facilmente absorvidos pelo corpo. . O que é o caldo de osso e como ele é feito? O caldo de osso nada mais é do que o resultado da fervura lenta de ossos de animais, geralmente bovinos, aves ou peixes, por longas horas , às vezes até 24. Durante esse processo, os nutrientes presentes nos ossos e cartilagens se dissolvem na água, criando um líquido rico e espesso. Os ingredientes costumam incluir: Ossos com tutano e cartilagem; Legumes (como cenoura, cebola e salsão); Ervas e temperos naturais; Um toque de vinagre, que ajuda a extrair os minerais dos ossos. Segundo chefs e especialistas, o segredo está no tempo. Quanto mais lenta a cocção, mais concentrado e nutritivo o caldo se torna. Por que o caldo de osso voltou à moda? Nos últimos anos, a busca por alimentos integrais e funcionais reacendeu o interesse por receitas tradicionais. O caldo de osso se encaixa perfeitamente nesse contexto: é natural, sem aditivos, sustentável e cheio de benefícios comprovados pela ciência. Entre os principais fatores que impulsionaram o retorno dessa tendência estão: Valorização do colágeno natural – Com o aumento do consumo de suplementos de colágeno, muitos passaram a buscar fontes alimentares desse nutriente. O caldo é uma das formas mais biodisponíveis de obtê-lo. Crescimento das dietas “low carb” e “paleo” – Seguindo a lógica de alimentação ancestral, essas dietas incentivam o consumo de caldos ricos em proteínas e gorduras boas. Interesse por alimentos anti-inflamatórios – Pesquisas indicam que aminoácidos presentes no caldo, como glicina e prolina, ajudam a reduzir inflamações e melhoram a recuperação muscular. Aproveitamento total dos alimentos – Em tempos de preocupação ambiental e desperdício, o caldo é uma forma inteligente e sustentável de usar partes do animal que normalmente seriam descartadas. Os benefícios que a ciência reconhece Embora o caldo de osso seja uma tradição antiga, apenas nos últimos anos ele passou a ser estudado com rigor científico. Pesquisas publicadas em revistas de nutrição e biomedicina têm identificado potenciais benefícios: Saúde das articulações: o colágeno e a gelatina ajudam a proteger cartilagens e tecidos conjuntivos. Melhora da digestão: a glicina e a glutamina auxiliam na regeneração da mucosa intestinal, beneficiando pessoas com síndrome do intestino irritável. Beleza da pele: o colágeno natural contribui para a firmeza e elasticidade cutânea. Sono e humor: aminoácidos do caldo favorecem a produção de serotonina e promovem relaxamento. É um alimento simples, mas com uma composição nutricional impressionante. Ele oferece uma combinação de proteínas, minerais e compostos bioativos que atuam em várias funções do organismo. Nem tudo é milagre: cuidados e limitações Apesar dos benefícios, os especialistas alertam que o caldo de osso não substitui uma alimentação equilibrada e que é preciso ter alguns cuidados com o preparo. O caldo deve ser feito com ossos de boa procedência, preferencialmente de animais criados sem antibióticos. Caso contrário, há risco de contaminação por metais pesados ou resíduos químicos. Pessoas com doenças renais ou hiperuricemia (excesso de ácido úrico) também devem consumir com moderação, já que o caldo pode conter purinas — compostos que elevam o ácido úrico no sangue. Como incluir o caldo de osso na rotina Versátil, o caldo pode ser consumido puro, como sopa, ou usado como base para outras preparações — risotos, molhos, ensopados e legumes cozidos. Os especialistas recomendam: Consumir entre 200 ml e 300 ml por dia, preferencialmente no almoço ou jantar; Guardar por até cinco dias na geladeira ou congelar em porções; Evitar sal em excesso, priorizando temperos naturais. Para quem prefere praticidade, já existem marcas que vendem caldo de osso pronto ou desidratado, mas é importante verificar se o produto não contém conservantes ou aditivos artificiais. Um alimento antigo para um futuro mais saudável A popularidade do caldo de osso reflete uma tendência global: o retorno ao essencial. Em meio a dietas restritivas, suplementos e modismos alimentares, ele se destaca por unir nutrição, simplicidade e sustentabilidade. É o tipo de alimento que carrega sabedoria ancestral. É reconfortante, nutritivo e simboliza a volta ao natural, algo que nossa alimentação moderna estava precisando.