Embora a orelha de abano não represente nenhum risco à saúde, ela pode gerar desconforto psicológico (Divulgação) A orelha de abano é uma alteração anatômica congênita que faz com que as orelhas fiquem mais afastadas da cabeça do que o considerado esteticamente comum. Embora não cause nenhum prejuízo funcional — ou seja, não afeta a audição —, essa condição pode gerar insegurança e impacto emocional, especialmente em crianças e adolescentes. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a condição afeta cerca de 5% da população, sendo geralmente herdada geneticamente. O termo técnico é “deformidade auricular protuberante”, e ela pode ocorrer de forma unilateral (em uma só orelha) ou bilateral. Por que isso acontece? A principal causa da orelha de abano é uma má-formação da cartilagem da orelha externa, ainda durante a gestação. Os fatores mais comuns são: Ausência ou subdesenvolvimento da dobra chamada antihélice Aumento da concha auricular (a parte côncava central da orelha) Combinação dos dois fatores Ou seja, trata-se de uma condição genética que se manifesta já ao nascimento e que pode ter outros casos na família. Colar a orelha com esparadrapo funciona? A prática de colar as orelhas de bebês com esparadrapos ou faixas elásticas é bastante difundida, especialmente nos primeiros meses de vida. Mas funciona? De acordo com pediatras e otorrinolaringologistas, o uso de esparadrapo ou faixa pode ter algum efeito corretivo apenas nos primeiros meses de vida, quando a cartilagem da orelha ainda é maleável. Após cerca de 6 a 8 semanas de vida, essa estrutura começa a se enrijecer, o que torna o método ineficaz. Pode ajudar: quando iniciado nas primeiras semanas de vida, sob orientação médica Não funciona: em crianças maiores ou adultos, sendo apenas paliativo ou estético momentâneo O tratamento com moldadores auriculares (como o EarWell) é aprovado por especialistas e usado em países como EUA, Reino Unido e Brasil — geralmente aplicado nos primeiros 30 dias de vida. E quando a cirurgia é indicada? A cirurgia conhecida como otoplastia é o método mais eficaz e definitivo para corrigir a orelha de abano. É indicada em casos de: Prejuízo à autoestima ou bullying na infância Desejo estético do paciente Falha nos métodos não cirúrgicos A intervenção pode ser feita a partir dos 6 a 7 anos de idade, quando a orelha já atingiu seu desenvolvimento quase total. O procedimento é relativamente simples, feito com anestesia local ou geral, e a recuperação ocorre em poucos dias, com o uso de faixa protetora. Segundo a SBCP, a otoplastia é uma das cirurgias plásticas mais realizadas em crianças no Brasil — tanto pelo SUS quanto em clínicas particulares. O impacto emocional e social Embora a orelha de abano não represente nenhum risco à saúde, ela pode gerar desconforto psicológico. Estudos mostram que crianças com a condição têm maior chance de sofrer bullying e, em alguns casos, desenvolver insegurança corporal, retraimento e baixa autoestima. Com o aumento da exposição nas redes sociais e a valorização da imagem, muitos pais têm buscado alternativas precoces — desde moldadores até a cirurgia. Psicólogos recomendam que, antes de qualquer intervenção, os pais observem se há real incômodo da criança ou apenas uma preocupação estética dos adultos.