Com empatia, prática e informação, é possível transformar esse receio em uma nova habilidade (Divulgação / Freepik) Para quem nasceu nos anos 90 ou 2000, o celular sempre foi sinônimo de mensagens instantâneas, redes sociais e vídeos curtos. Mas, quando toca uma chamada de voz, a reação é quase automática: rejeitar. Para muitos jovens da geração Z, falar ao telefone é desconfortável, estressante — e em alguns casos, motivo de pânico. Esse fenômeno tem nome: telefonofobia. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A aversão a ligações não é apenas uma preferência por mensagens. Trata-se de um comportamento associado à ansiedade social, que afeta milhões de jovens ao redor do mundo. Segundo especialistas, o problema tem se agravado com o distanciamento das interações presenciais e a predominância de comunicações digitais controladas, como texto e áudio gravado. O que é telefonofobia? Telefonofobia é a ansiedade intensa que algumas pessoas sentem ao fazer ou receber ligações telefônicas. Não se trata apenas de timidez: muitos jovens relatam taquicardia, sudorese, bloqueios mentais e até sensação de pânico ao ouvir o toque de uma chamada. A fobia já é reconhecida por psicólogos como uma variante da ansiedade social — e se tornou cada vez mais comum com o crescimento da geração Z no mercado de trabalho e nos espaços digitais. Por que a geração Z evita falar ao telefone? 1. Comunicação sem controle gera insegurança Diferente das mensagens de texto, onde é possível editar, pensar e até apagar o que foi dito, as ligações exigem respostas imediatas. Essa imprevisibilidade causa estresse em jovens acostumados a se comunicar de forma mais segura e controlada. 2. Falta de prática e traumas da pandemia Durante a pandemia, boa parte da geração Z passou anos com interações sociais limitadas. O telefone, que já era pouco usado por esse grupo, virou um recurso ainda mais distante. Sem a prática, a insegurança cresceu — e a ansiedade virou um ciclo. 3. Sobrecarga cognitiva Ligações demandam atenção total, audição apurada e raciocínio rápido. Para uma geração habituada à multitarefa digital, isso pode gerar sobrecarga mental. Além disso, a ausência de pistas visuais (como expressões faciais) dificulta a leitura emocional da conversa. 4. Medo de julgamento Sem o apoio de emojis, reações ou tempo para pensar, jovens se sentem vulneráveis ao julgamento durante uma ligação. Como o tom de voz e a resposta são instantâneos, muitos temem parecer inseguros ou despreparados. 5. Desconfiança e golpes digitais O crescimento de chamadas fraudulentas e clonagem de voz também contribui para o receio. Muitos jovens adotaram o hábito de esperar em silêncio antes de atender ou simplesmente ignorar números desconhecidos. O que dizem os especialistas? Em entrevista ao portal Times Brasil, educadores e psicólogos apontam que a telefonofobia reflete a forma como os jovens cresceram. “Eles são comunicadores excelentes — mas dentro de plataformas que oferecem tempo, edição e personalização”, afirma uma professora do Nottingham College, no Reino Unido, onde um curso sobre como fazer ligações foi criado após reclamações de alunos. Segundo dados do site Robert Walters, apenas 16% dos jovens entre 18 e 34 anos preferem ligações em ambientes profissionais. A maioria (59%) dá preferência a e-mails ou mensagens. Em outra pesquisa, feita no Reino Unido, 75% dos estudantes admitiram sentir ansiedade ao usar o telefone. Como vencer o medo de ligar? Psicólogos recomendam estratégias práticas para enfrentar a telefonofobia: Exposição gradual: começar com chamadas curtas e simples, como para amigos ou agendamentos. Roteiro prévio: anotar os pontos que deseja falar ajuda a organizar o raciocínio. Respiração consciente: técnicas de relaxamento antes de atender podem reduzir os sintomas físicos da ansiedade. Terapia: casos mais intensos podem ser tratados com acompanhamento psicológico, especialmente com abordagem cognitivo-comportamental.