(Reprodução TIk/TOK) Todo verão, a mesma prática volta a circular nas praias e piscinas brasileiras: espremer limão no cabelo antes de se expor ao sol para tentar clarear os fios de forma rápida e “natural”. Apesar de parecer uma solução simples, dermatologistas alertam que a técnica pode trazer sérios riscos para o cabelo e para a pele. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A combinação do suco da fruta com a radiação solar pode provocar ressecamento intenso, quebra dos fios e até queimaduras na pele. Um dos problemas mais preocupantes é a fitofotodermatite, reação química que pode causar manchas e lesões dolorosas. Por que o limão danifica os fios O suco de limão possui alta concentração de ácido cítrico, substância bastante ácida que age diretamente na estrutura capilar. Quando aplicado nos fios, ele pode abrir e danificar as cutículas, a camada protetora que mantém o cabelo hidratado, brilhante e resistente. Com as cutículas comprometidas, o cabelo perde água com mais facilidade, ficando ressecado, frágil e quebradiço. A situação piora quando o cabelo com limão é exposto ao sol. A radiação ultravioleta já é naturalmente agressiva para os fios e, em contato com o ácido, pode acelerar a degradação da melanina, pigmento responsável pela cor do cabelo. Embora isso possa provocar um leve clareamento, o processo ocorre à custa de danos estruturais importantes para a saúde capilar. Risco de queimaduras na pele Além dos danos ao cabelo, especialistas alertam para a fitofotodermatite, reação causada quando substâncias presentes no limão entram em contato com a pele e são expostas à luz solar. O limão contém compostos chamados furocumarinas, que potencializam os efeitos da radiação ultravioleta. Isso pode provocar uma espécie de queimadura química na pele. Entre os sintomas estão: vermelhidão intensa ardência e coceira formação de bolhas manchas escuras que podem durar semanas ou até meses O risco aumenta porque o suco pode escorrer facilmente dos fios para o couro cabeludo, testa, nuca e ombros, ampliando a área afetada sem que a pessoa perceba. Alguns tipos de cabelo sofrem ainda mais Embora qualquer pessoa possa sofrer danos com a prática, alguns tipos de cabelo são ainda mais vulneráveis. Entre eles estão: cabelos com química, como tintura, descoloração ou alisamento; cabelos cacheados e crespos, que tendem a ser naturalmente mais secos; fios finos, que são estruturalmente mais frágeis; pessoas com couro cabeludo sensível ou histórico de irritações. Nesses casos, o risco de quebra, ressecamento extremo e irritações na pele pode ser ainda maior. Como clarear o cabelo com segurança Para quem deseja clarear os fios, dermatologistas recomendam optar por produtos específicos desenvolvidos para esse objetivo e aprovados por órgãos reguladores. Esses itens são formulados para alterar a cor dos fios sem comprometer tanto a estrutura capilar. Outras medidas também ajudam a proteger o cabelo durante o verão: usar protetor solar capilar com filtro UV; investir em hidratação frequente com máscaras e leave-ins; proteger os fios com chapéus ou lenços; evitar exposição ao sol entre 10h e 16h; procurar orientação de cabeleireiros ou dermatologistas para técnicas seguras de clareamento, como luzes ou mechas. O que fazer em caso de contato com limão Se o limão entrar em contato com o cabelo ou a pele, o ideal é lavar imediatamente a região com bastante água e sabão neutro antes da exposição ao sol. Essa medida reduz o risco de ocorrer a reação química responsável pela fitofotodermatite. Caso surjam sinais como vermelhidão, ardência, bolhas ou manchas, a recomendação é procurar um dermatologista o quanto antes. O tratamento precoce ajuda a evitar complicações e reduz as chances de manchas permanentes.