A ozonioterapia pode representar um avanço no manejo da dor e na cicatrização de feridas crônicas, desde que aplicada de forma criteriosa (Divulgação) A ozonioterapia é um tratamento que utiliza uma mistura de oxigênio e ozônio em aplicações médicas. O gás, altamente reativo, é administrado em diferentes formas (infiltrações, aplicações tópicas, insuflações ou injeções locais), sempre em baixas concentrações. O objetivo é estimular mecanismos de defesa, melhorar a oxigenação dos tecidos e reduzir inflamações. Por essas características, tem sido estudada como terapia complementar no alívio de dores musculoesqueléticas e na cicatrização de feridas crônicas. O que muda na prática? Em 2025, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou a resolução nº 2.445/2025, autorizando médicos a utilizarem a ozonioterapia em condições específicas, como: Feridas crônicas, especialmente úlceras do pé diabético; Doenças musculoesqueléticas, como osteoartrite de joelho; Hérnia de disco lombar, como opção complementar ao tratamento convencional. Antes da resolução, o uso era restrito e alvo de debates acalorados. A decisão do CFM reascendeu a discussão, dividindo opiniões entre médicos e pacientes. Como funciona no corpo? Segundo especialistas, os efeitos da ozonioterapia estão ligados a três frentes principais: Oxigenação tecidual: melhora a circulação local e a chegada de oxigênio às células; Ação anti-inflamatória: reduz mediadores inflamatórios, podendo aliviar dores; Efeito antimicrobiano: auxilia na cicatrização de feridas infectadas, dificultando a proliferação de bactérias, fungos e vírus. Apesar disso, a literatura científica ressalta que a intensidade dos benefícios varia conforme a condição clínica, a dose e a forma de aplicação. Benefícios x Limitações: o que diz a ciência Benefícios reconhecidos: há evidências de melhora em quadros de dor articular e cicatrização de feridas, especialmente quando combinada a outros tratamentos. Limitações: não existem provas robustas de eficácia para câncer, doenças autoimunes ou problemas crônicos sistêmicos — usos que ainda são propagados por algumas clínicas. Críticas: órgãos como a ANVISA destacam que faltam ensaios clínicos de grande porte para confirmar muitos dos benefícios anunciados. Quando pode ser uma opção? De acordo com especialistas, a ozonioterapia pode ser útil quando: Indicado por médico e usado como complemento ao tratamento principal; O paciente sofre com feridas de difícil cicatrização, como no pé diabético; O objetivo é o alívio de dor localizada em casos de osteoartrite ou hérnia de disco, sempre associado a fisioterapia, medicamentos ou cirurgia, se necessário. Orientações para pacientes Procure sempre avaliação médica: a técnica deve ser aplicada apenas por profissionais habilitados. Verifique a legalidade: no Brasil, só está liberada para usos específicos, conforme a resolução do CFM. Questione evidências: desconfie de promessas de cura milagrosa ou tratamentos para todas as doenças. Exija equipamentos certificados: a aplicação exige aparelhos adequados para evitar riscos de intoxicação. Peça segunda opinião: em caso de dúvida, converse com outro especialista antes de iniciar o tratamento. O que dizem os críticos? Embora o CFM tenha autorizado o uso em situações restritas, há controvérsia. A ANVISA mantém posição cautelosa e a Cochrane, rede internacional de revisões científicas, aponta falta de evidências de alta qualidade em muitas áreas. Médicos como Drauzio Varella também já alertaram que a ozonioterapia não deve ser vendida como solução para todas as doenças.