O ambiente de armazenamento interfere diretamente na durabilidade dos ovos (Adobe Stock) Aquela dúzia de ovos esquecida no fundo da geladeira pode parecer inofensiva, mas há mais em jogo do que se imagina. O ovo de galinha, um dos alimentos mais consumidos nas cozinhas brasileiras, tem sim prazo de validade, e ultrapassá-lo pode trazer riscos sérios à saúde. A seguir, explicamos o que dizem as normas brasileiras, quais são os sinais de alerta e até onde você pode confiar no bom senso na hora de decidir se o ovo ainda está bom para o consumo. Onde verificar a validade do ovo? A validade dos ovos é obrigatoriamente informada nas embalagens, como previsto pela Resolução RDC nº 24/2015, da Anvisa. Bandejas vendidas no mercado devem trazer, de forma clara, a data de validade, número do lote, condições de armazenamento e identificação do produtor. Portanto, quem compra ovos embalados deve sempre verificar essas informações no rótulo. Já os ovos vendidos a granel, aqueles comercializados sem embalagem primária, não possuem atualmente nenhuma exigência legal de que a validade esteja impressa na casca, mesmo que essa medida tenha sido cogitada recentemente. Em setembro de 2024, o Ministério da Agricultura publicou a Portaria SDA/MAPA nº 1.179, que tornaria obrigatória a impressão da validade na casca dos ovos vendidos a granel. A norma entraria em vigor em março de 2025, mas foi revogada dias depois, por meio da Portaria nº 1.250/2025, após críticas de representantes do setor. Assim, a medida está atualmente suspensa e não é exigida por lei. Quanto tempo dura um ovo? De acordo com o Ministério da Agricultura, ovos mantidos sob refrigeração podem ser consumidos até 30 dias após a data de postura, desde que armazenados corretamente. Esse prazo é o que costuma ser utilizado como referência para definir a validade no rótulo das embalagens. Nos Estados Unidos, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na sigla em inglês) adota orientação semelhante: os ovos refrigerados duram de três a cinco semanas após entrarem na geladeira. Essa estimativa é usada em diversos estudos e recomendações internacionais sobre segurança alimentar. Apesar disso, é importante frisar que o ambiente de armazenamento interfere diretamente na durabilidade. Temperaturas elevadas ou variações constantes podem acelerar o processo de deterioração, mesmo dentro do prazo. Consumir ovo vencido faz mal? Sim. O risco mais comum ao consumir ovos fora da validade é a contaminação por bactérias, como Salmonella spp, que pode causar infecções gastrointestinais severas. Mesmo quando o ovo aparentemente está com cor e cheiro normais, ele pode abrigar micro-organismos perigosos. De acordo com especialistas do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), a validade não deve ser tratada como “estimativa”, mas sim como limite de segurança. Comer ovos vencidos aumenta a probabilidade de intoxicações alimentares, cujos sintomas vão de náuseas leves a febres altas e diarreias persistentes. Como saber se o ovo está estragado? Além da verificação da data de validade, o método mais tradicional — e útil — é o teste da água. Basta colocar o ovo em um copo ou tigela com água: Se afundar e deitar, está fresco. Se afundar e ficar em pé, está envelhecido, mas ainda pode ser usado se for bem cozido. Se flutuar, é sinal de gás acumulado e deve ser descartado imediatamente. Outro indicativo está na aparência da clara e da gema. Ovos bons apresentam clara firme e gema centralizada e arredondada. Caso a clara esteja líquida e rala, ou a gema achatada e com aspecto opaco, melhor não arriscar. E claro: qualquer cheiro desagradável ao quebrar o ovo é sinal de contaminação. Cuidados no armazenamento fazem diferença Os especialistas do Instituto Ovos Brasil e da Embrapa reforçam que a refrigeração deve ser feita na parte interna da geladeira, e não na porta, onde a temperatura oscila mais. Além disso: Não lave os ovos antes de guardar, pois isso remove a cutícula natural que protege a casca. Mantenha-os em recipientes limpos e fechados para evitar contaminação cruzada. Evite guardar ovos com rachaduras na casca, pois isso facilita a entrada de microrganismos.