Em geral, o caminho da diversão dos jovens muitas vezes segue duas direções (Adobe Stock) Em geral, o caminho da diversão dos jovens muitas vezes segue duas direções: a balada ou o barzinho. Há quem goste da primeira opção, outros preferem a segunda e existem os que aderem a alternativas mais intimistas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O estudante Mateus Fonseca Pinto de Siqueira, de 17 anos, é um que assinala a última alternativa. “Não gosto de balada nem de barzinho. Prefiro ficar em casa ou, às vezes, na casa de minha namorada (Manuela Beltran, de 14 anos) ou de amigos. Meu círculo social é mais íntimo”, afirma. Dependendo do rumo que segue, os programas são distintos para o morador do Bairro Aparecida, em Santos. “Quando estou em casa, prefiro jogar videogame, ver vídeos no YouTube ou, às vezes, brincar com os meus cachorros e falar com minha mãe. Quando estou com minha namorada, prefiro ver filmes ou ir à praia com ela. Quando estou com meus amigos, prefiro ir à casa deles. Às vezes jogamos videogame ou saímos para jogar futebol na praia”, detalha. Os amigos de Matheus e da namorada dele até que gostam e aceitam as preferências deles. “Eles não vão também muito para festas e minha namorada também nunca foi de festas e baladas. Então ela não vai também porque não quer mesmo”, conta. Outra fase A gerente comercial Tathiana Cardacci Zuanazzi, de 33 anos, está em outra fase. “Já gostei bastante de balada, mas faz um tempo que minha preferência mudou muito. Hoje em dia, prefiro barzinho”, afirma. Tathiana justifica que gosta do ambiente que permita conversar, comer e curtir com mais conforto. Mas, claro, ela não se importa de que exista um acréscimo no local. “O cenário perfeito para mim é um barzinho animado com música. Por sinal, fico super feliz quando abrem novas opções”, comenta. A preferência pessoal mudou justamente porque o barzinho combina mais com o que a moradora do Bairro Boqueirão, em Santos, busca atualmente: sair, aproveitar, socializar e curtir a companhia das pessoas que gosta. E isso, claro, se estende às pessoas mais próximas. “Tanto meu marido (Leonardo Zuanazzi, de 32 anos) quanto meus amigos também preferem barzinhos”, define. Tathiana Zuanazzi (esq.) e Mateus Siqueira (dir.) (Arquivo pessoal) Interação social, autonomia e experimentação fazem parte A psicóloga Chrystina Kato observa que os adolescentes e jovens entre 16 e 25 anos tendem a buscar formas de diversão que envolvam interação social, por intermédio da identificação com outros da mesma faixa etária, intensidade emocional e novas experiências. Essa fase do desenvolvimento é marcada por uma forte necessidade de pertencimento, autonomia e experimentação. “Então, a partir dessas observações, as atividades comuns nessa faixa etária incluem: atividades em grupo (festas, encontros com amigos, viagens, eventos e shows), onde o convívio social é altamente valorizado, exploração e aventura (esportes radicais, trilhas, festas diferentes e experiências fora da rotina), quando eles buscam emoções intensas e novidades, e entretenimento digital (redes sociais, games on-line, vídeos no YouTube, streaming de séries e filmes), onde a tecnologia é parte central”, detalha. Definições Segundo Chrystina, a preferência entre balada e barzinho pode variar de acordo com a personalidade, momento de vida, cultura local e intenção social do grupo ao qual o jovem se insere. Geralmente a balada, observa a psicóloga, é a opção para os jovens mais extrovertidos, que buscam agitação, intensidade e experiências sensoriais, aquele que está disponível para paquera, ou que deseja se divertir dançando, e, de certa forma, se expondo mais, aproveitando a noite até mais tarde. “Esses jovens se realizam fazendo parte de um grupo mais ‘animado’, que se expressa pela música alta, das luzes e do movimento. Tal preferência se explica pela neurofisiologia, através do sistema de recompensa do cérebro (dopamina), especialmente por ser intensa, imprevisível e estimulante, e por atender ao desejo de se destacar, e de se expressar visualmente e socialmente. Na balada há menos foco na conversa e na subjetividade, e mais na experiência corporal que ressalta a presença e as sensações”, explica. Já no barzinho são encontrados os jovens mais tranquilos, que valorizam o bate-papo e a conexão íntima com amigos em um ambiente mais acolhedor. Eles representam, segundo Chrystina, o grupo de pessoas que está em um momento mais reflexivo ou apenas querendo relaxar sem tanta agitação. Nesta opção também são localizados os casais ou grupos de casais que querem curtir juntos de forma mais tranquila. “A preferência por esta opção de diversão se explica pelo estímulo que um local mais intimista dá àqueles que estão em busca da construção de vínculos sociais baseados no diálogo e na sensação de pertencimento. Esta opção também favorece os jovens que preferem um tipo de prazer mais ‘contido’, relacionado ao conforto e à segurança emocional. Além disso, o barzinho se adequa melhor para aqueles que se sentem mais ansiosos ou inseguros socialmente, pois não demanda uma grande exposição”, detalha. Comparações A geração atual (Z) cresceu com celular na mão. A vida social acontece fortemente no ambiente digital. Diversão, relacionamentos, humor e até sofrimento são compartilhados e vividos online. Redes sociais (TikTok, Instagram etc.) são quase uma extensão da identidade. Já a anterior (Y) viveu a transição entre o analógico e o digital. Eles se comunicavam e usavam programas como MSN, Orkut, e blogs, mas ainda valorizavam mais os encontros físicos, e o rolê era menos documentado. Quanto ao estilo de diversão, a Geração Z prefere as experiências rápidas, visualmente estimulantes e compartilháveis. Shows, rolês instagramáveis, festas temáticas... Em contrapartida, também curtem muito o “ficar em casa on-line” (maratonar série, jogar, lives). Por outro lado, na Geração Y a balada era quase um ritual. Havia mais disposição para sair, dançar, socializar em grandes grupos. Ou seja, era investido tempo no rolê (inclusive sem o celular). O compartilhamento era presencial.