Esse comportamento tem nome e vem ganhando força nas redes: orbiting (Divulgação) Você encerrou um relacionamento, uma amizade ou até uma paquera que nunca virou namoro. A conversa acabou, os encontros também. Mas aquela pessoa continua ali, visualizando seus stories, curtindo suas postagens ou acompanhando discretamente tudo o que você publica. Parece familiar? Esse comportamento tem nome e vem ganhando força nas redes: orbiting. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Derivado da palavra “órbita”, o termo define exatamente o que parece: alguém que não se aproxima de verdade, mas continua girando ao seu redor, mantendo uma presença virtual sutil — e, muitas vezes, desconfortável. Especialistas afirmam que o orbiting, embora possa parecer inofensivo, afeta a saúde emocional de quem é alvo, especialmente quando envolve histórias mal resolvidas ou vínculos afetivos interrompidos sem explicação. O que é orbiting? O termo foi popularizado pela escritora americana Anna Iovine em um artigo de 2018 no Man Repeller. Ela descreveu a experiência de estar sendo ignorada por alguém que havia cortado o contato direto, mas que continuava reagindo às suas postagens. O orbiting acontece principalmente no Instagram, TikTok, X (ex-Twitter) e Facebook, onde é fácil acompanhar a vida do outro sem qualquer interação direta. Curtidas, visualizações de stories, reações rápidas: tudo isso forma o que os psicólogos chamam de presença digital ambígua. Orbiting é a nova forma de ghosting? Em parte, sim. O ghosting é o desaparecimento repentino de alguém que some sem dar explicações. Já o orbiting é um "ghosting com vigilância": a pessoa desaparece, mas continua ali, silenciosa, observando. Para especialistas, o orbiting pode criar ilusões emocionais perigosas. A pessoa que sofre orbiting fica se perguntando: Por que ele ainda vê meus stories? Será que ainda se importa?. Isso alimenta expectativas, dúvidas e impede o fechamento emocional. Por que as pessoas fazem orbiting? O comportamento pode parecer tóxico, mas muitas vezes é inconsciente ou até motivado por insegurança. Veja alguns motivos: Curiosidade: a pessoa quer saber como você está, mesmo sem intenção de retomar o contato. Controle: manter-se presente digitalmente para mostrar que “ainda existe” na vida do outro. Vaidade ou ego: ver se você ainda reage, se sente falta. Culpa ou arrependimento: uma forma disfarçada de presença, após um término mal resolvido. Orbiting é um problema? Sim, pode ser — especialmente quando afeta a saúde emocional da vítima. A prática pode causar: Ansiedade Confusão emocional Baixa autoestima Sensação de ser vigiado Dificuldade para seguir em frente Não é só sobre o que o outro faz, mas sobre o impacto que isso tem na sua mente. Muitas pessoas desenvolvem uma dependência emocional digital sem perceber. Como lidar com o orbiting? Veja algumas dicas práticas dos especialistas: 1. Reforce os limites Use os recursos das redes: silencie, bloqueie ou restrinja o perfil da pessoa. Isso não é imaturidade — é cuidado com sua saúde mental. 2. Evite vigiar de volta Não caia na armadilha de “checar se ele(a) viu”. Isso reforça a dependência emocional. 3. Resgate seu foco Volte o olhar para si: hobbies, amigos, terapia, conteúdos positivos. Deixe de se perguntar “por que ele(a) fez isso?” e passe a pensar “por que isso ainda me afeta?”. 4. Se necessário, desconecte Tirar um tempo das redes pode ser fundamental para retomar o equilíbrio emocional. Orbiting não é carinho — é confusão O orbiting dá a falsa sensação de proximidade, mas na prática, só prolonga feridas emocionais. Se alguém quis sair da sua vida, mas não do seu feed, é preciso se perguntar se vale a pena manter essa ‘companhia fantasma’”.