(Divulgação / Freepik) Quem nunca passou pela situação constrangedora de encontrar alguém conhecido e, de repente, travar na hora de lembrar o nome? A cena é tão frequente que se tornou parte da vida moderna, marcada por excesso de informações e distrações constantes. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas, segundo especialistas, esquecer o nome de certas pessoas não é apenas um sinal de desatenção. A psicologia explica que esse tipo de esquecimento pode estar ligado a fatores emocionais, cognitivos e até inconscientes. É um dos lapsos de memória mais comuns, e na maioria das vezes, perfeitamente normal. O cérebro prioriza informações consideradas relevantes ou emocionalmente significativas. Quando o nome de alguém não se associa a algo marcante, ele tende a ser rapidamente esquecido. O cérebro não esquece por acaso De acordo com a psicologia cognitiva, a memória humana funciona como uma rede de conexões — quanto mais fortes e repetidas essas conexões, mais fácil é lembrar algo. O nome de uma pessoa, porém, é uma informação abstrata e frágil, que só se consolida quando associada a um contexto mais amplo: uma emoção, uma história, um ambiente ou uma característica marcante. Lembramos de rostos, lugares e situações com muito mais facilidade do que de nomes, porque eles ativam diferentes áreas cerebrais. O nome, por si só, não tem um vínculo sensorial forte. Por isso, se a pessoa não desperta emoção ou atenção, o cérebro não considera prioritário armazenar essa informação. Além disso, estudos apontam que a memória nominal é particularmente vulnerável ao estresse, à sobrecarga mental e ao sono irregular, fatores que interferem na consolidação das lembranças. Freud e o ‘esquecimento motivado’ O esquecimento de nomes também foi tema de estudo para o pai da psicanálise, Sigmund Freud, que o associou ao que chamou de “ato falho”, um deslize da memória com raízes inconscientes. Segundo ele, em alguns casos, o esquecimento pode estar ligado a emoções reprimidas, desconfortos ou rejeições sutis em relação à pessoa esquecida. Nem sempre esquecemos por acaso. Há situações em que o nome esquecido está ligado a sentimentos que o indivíduo prefere não acessar, seja antipatia, ciúme ou até indiferença. Freud descreveu casos em que o esquecimento de nomes não ocorria de forma aleatória, mas como uma espécie de mecanismo de defesa psíquico, em que o inconsciente bloqueia o acesso a informações associadas a algo emocionalmente incômodo. O papel da atenção e da sobrecarga mental Na vida cotidiana, no entanto, o esquecimento costuma ter explicações mais simples. A atenção dividida é um dos principais fatores. Vivemos em um cenário de excesso de estímulos — notificações, redes sociais, tarefas simultâneas —, o que faz o cérebro filtrar o que considera menos urgente. O cérebro é eficiente, mas seletivo, afirma Carla Menezes. Quando alguém é apresentado em um contexto rápido, como um evento ou reunião, e você está pensando em outra coisa, o nome não chega nem a ser armazenado corretamente. Não se trata de esquecer, mas de nunca ter realmente memorizado. Quando o esquecimento pode ser um sinal de alerta Embora o esquecimento de nomes seja comum, é importante observar quando ele passa a se repetir com frequência ou vem acompanhado de outros sintomas, como dificuldade de lembrar palavras simples, desorientação temporal ou esquecimentos recentes. Nesses casos, pode haver indícios de problemas de atenção, estresse crônico, ansiedade, depressão ou até comprometimento cognitivo leve, condição que pode anteceder quadros de demência. esquecimento ocasional é normal. Mas se ele interfere na rotina, causa preocupação ou é notado por familiares, é hora de procurar avaliação médica.. Exames e testes cognitivos simples ajudam a distinguir entre falhas benignas da memória e situações que exigem acompanhamento. Como treinar o cérebro para lembrar melhor A psicologia e a neurociência apontam estratégias simples que ajudam a fortalecer a memória e a atenção, reduzindo lapsos no dia a dia: Associe nomes a características marcantes: ao conhecer alguém, ligue o nome a um traço físico, profissão ou contexto (“Marina do jornal”, “Carlos da academia”). Repita o nome em voz alta: isso reforça a codificação no cérebro e aumenta a chance de memorização. Evite distrações durante conversas: atenção plena ajuda o cérebro a registrar as informações com mais clareza. Durma bem: o sono consolida memórias. Dormir menos de 6 horas por noite prejudica a retenção de novas informações. Reduza o estresse: técnicas de respiração, meditação e pausas durante o dia ajudam a evitar a sobrecarga mental. Esquecer é humano Para a psicologia, o esquecimento, inclusive o de nomes, é parte essencial do funcionamento saudável da mente. “O cérebro precisa esquecer para priorizar o que importa”. “Não é sinal de fraqueza, mas de eficiência. O importante é observar se isso se torna recorrente ou causa sofrimento.” Em tempos de excesso de informações, memorizar cada detalhe é quase impossível. Saber o que o cérebro escolhe lembrar, e o que deixa passar, pode dizer muito sobre quem somos, o que sentimos e o que escolhemos valorizar.