(Alexsander Ferraz / AT) O brasileiro passa, em média, 9 horas por dia em frente à tela do celular. O que parece um hábito comum pode trazer consequências sérias à saúde física e mental. Médicos e especialistas em ergonomia, ortopedia, oftalmologia e psiquiatria alertam: dores nas costas, problemas de visão, distúrbios do sono, ansiedade e até dependência digital estão entre os efeitos colaterais do uso prolongado de smartphones. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um hábito comum com efeitos preocupantes De acordo com dados do relatório "State of Mobile 2024", os brasileiros estão entre os campeões mundiais no tempo médio de uso de celulares. São cerca de 9 horas diárias conectados — seja para trabalhar, estudar, assistir a vídeos, jogar ou navegar em redes sociais. Mas o que isso representa para o corpo humano? A exposição prolongada à luz azul, posturas inadequadas e o estímulo contínuo ao cérebro afetam muito mais do que se imagina. “É como se o organismo estivesse em estado de alerta constante, o que desgasta o corpo e interfere diretamente em funções básicas como dormir, comer e até se concentrar”, explica o neurologista Dr. Carlos Vieira, especialista em saúde digital. Principais impactos físicos do uso excessivo do celular: 1. Problemas de coluna e postura A famosa síndrome do pescoço de texto ("text neck") é cada vez mais comum. Quando a cabeça se inclina para frente ao olhar o celular, ela pode exercer até 27 kg de pressão sobre a cervical, segundo estudos em ergonomia. 2. Síndrome do olho seco e fadiga ocular O uso contínuo da tela reduz a frequência de piscadas, levando ao ressecamento dos olhos, coceira, vermelhidão e até visão turva. A exposição à luz azul também pode causar fadiga ocular digital e aumentar o risco de degeneração macular com o tempo. 3. Alterações no sono A luz azul inibe a produção de melatonina, o hormônio do sono, dificultando o adormecer e afetando a qualidade do descanso noturno. 4. Tendinites e dores nas mãos Dedos, punhos e até antebraços podem ser afetados por tendinites e inflamações causadas pelo uso repetitivo da digitação. O polegar é o mais comprometido — a chamada "WhatsAppinite" já virou queixa comum em consultórios. Efeitos mentais e emocionais: uma epidemia silenciosa O uso excessivo do celular também está ligado ao aumento de casos de ansiedade, estresse, depressão e isolamento social. O acesso contínuo a redes sociais, comparações e excesso de estímulos criam um ciclo vicioso de dopamina que pode viciar. Além disso, há indícios de que a hiperconectividade reduz a capacidade de concentração, dificulta o aprendizado e afeta o desempenho profissional e escolar. Quantas horas por dia no celular são consideradas seguras? Embora não exista um “limite exato”, especialistas recomendam: Até 3 a 4 horas por dia para adultos, com pausas a cada 30 minutos de uso contínuo. Evitar o uso do celular duas horas antes de dormir. Regras mais rígidas para crianças e adolescentes, que estão mais vulneráveis a impactos no desenvolvimento neurológico. Como minimizar os danos? Adote o uso consciente: defina horários específicos para acessar redes sociais e aplicativos. Ajuste a postura: traga o celular até a altura dos olhos, em vez de inclinar a cabeça. Use o modo noturno ou filtro de luz azul, principalmente à noite. Pisque mais vezes intencionalmente e hidrate os olhos com colírios lubrificantes. Faça pausas regulares: levante, alongue-se e descanse os olhos a cada 30 a 40 minutos. Uma mudança necessária para o corpo e a mente A tecnologia facilita a vida, mas o uso exagerado cobra um preço alto. Transformar a relação com os dispositivos móveis é um passo fundamental para preservar a saúde física, mental e emocional.