Ouvir música durante o treino é uma estratégia simples, mas extremamente eficaz (Divulgação / FreePik) Quem nunca colocou os fones de ouvido, deu play na música preferida e sentiu o corpo reagir quase que automaticamente ao ritmo? A relação entre música e exercício físico vai muito além do prazer: ela tem base científica. De acordo com pesquisadores das universidades de Brunel (Reino Unido) e Verona (Itália), sons com batidas entre 120 e 140 bpm (batidas por minuto) como pop, eletrônico e hip-hop ajudam a melhorar o desempenho aeróbico e a reduzir a percepção de esforço físico. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Ou seja, quando a trilha sonora é boa, o treino parece “fluir” melhor. O cérebro libera dopamina e endorfina, neurotransmissores ligados ao prazer e à sensação de bem-estar, o que ajuda a manter a constância e a elevar o foco. O poder da batida certa Segundo o professor Costas Karageorghis, especialista em psicologia do esporte e autor de Inside Sport Psychology, a música pode aumentar a resistência em até 15% durante a prática de exercícios. O segredo está na sincronia entre o ritmo e o movimento. Quando o corpo se movimenta em harmonia com a batida, correndo ao som de uma música de 130 bpm, há um uso mais eficiente da energia muscular. Isso também melhora a coordenação motora e até a postura, especialmente em treinos de corrida, bicicleta ou dança. Além disso, músicas com letras positivas ou empoderadoras ajudam a elevar a autoestima e a reduzir o estresse, criando uma experiência de treino mais prazerosa e mentalmente estimulante. Cada treino pede uma trilha diferente Especialistas recomendam escolher o gênero musical de acordo com o tipo de exercício e o objetivo da atividade. Veja algumas sugestões: Corrida e esteira: Pop, eletrônico e dance (120 a 140 bpm) — ideais para manter o ritmo constante. Musculação: Rock ou hip-hop (100 a 120 bpm) — aumentam a força e o foco. Yoga e alongamento: Música ambiente, lo-fi ou sons da natureza — reduzem a frequência cardíaca e ajudam na concentração. Treinos de alta intensidade (HIIT): Eletrônico, funk ou rap (130 a 150 bpm) — estimulam a potência e a velocidade. Uma pesquisa publicada no Frontiers in Psychology mostrou que músicas rápidas e intensas elevam a frequência cardíaca e aumentam a motivação durante treinos curtos e explosivos. Mais do que estímulo: um fator emocional A música também tem um papel psicológico importante. Ela cria uma “bolha emocional” que ajuda o praticante a se desconectar de pensamentos negativos ou distrações externas. Esse estado de imersão — conhecido como “flow” — é associado a melhor desempenho e sensação de prazer durante o treino. Além disso, canções associadas a boas lembranças ou momentos de superação funcionam como um gatilho emocional, estimulando o praticante a ir além de seus limites. Mas atenção: o volume importa Apesar dos benefícios, especialistas alertam para o uso consciente dos fones de ouvido. O volume alto pode causar danos auditivos e comprometer a percepção de sons externos, o que aumenta o risco de acidentes, especialmente ao correr na rua ou pedalar. O ideal é manter o volume abaixo de 70% da capacidade máxima do aparelho.