Diuréticos prometem perda de peso rápida, mas o efeito é apenas momentâneo e pode ser perigoso (Divulgação / Freepik) A busca por um corpo mais magro e “seco” tem levado muitas pessoas a recorrerem a soluções perigosas, e os diuréticos estão entre elas. Com a promessa de eliminar o inchaço e reduzir medidas rapidamente, esses medicamentos, que deveriam ser usados apenas sob prescrição médica, vêm sendo consumidos de forma indiscriminada. Especialistas alertam: o uso inadequado pode provocar desidratação severa, desequilíbrio de eletrólitos e até falência renal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os diuréticos não são pílulas de emagrecimento. Eles apenas eliminam água e sais minerais do organismo, sem que haja perda real de gordura. Aao forçar o corpo a eliminar líquido em excesso, a pessoa pode entrar rapidamente em um estado de descompensação. A ilusão do “peso perdido” O resultado rápido que aparece na balança, muitas vezes uma redução de dois a três quilos em poucos dias é apenas temporário. Trata-se de perda de líquido e não de gordura. Assim que o corpo tenta se reidratar, o peso volta. O perigo é que, nesse processo, há grande risco de desidratação e queda de pressão. Ela reforça que o uso de diuréticos sem acompanhamento médico é especialmente arriscado no calor, quando o corpo já perde líquidos naturalmente pelo suor. A pessoa pode desmaiar, ter arritmias ou sobrecarga nos rins sem perceber o motivo. Efeitos colaterais graves Os diuréticos agem aumentando a eliminação de sódio e água pelos rins. O problema é que, junto com o sódio, o organismo perde potássio e magnésio, minerais fundamentais para o funcionamento dos músculos e do coração. O desequilíbrio eletrolítico pode causar câimbras intensas, fraqueza, batimentos cardíacos irregulares e até parada cardíaca. Em casos extremos, o paciente chega ao pronto-socorro com confusão mental e sinais de insuficiência renal aguda. Além disso, o uso prolongado pode comprometer permanentemente o funcionamento dos rins. O rim é um órgão sensível. Quando submetido a oscilações de líquidos e sais, ele sofre. Muitos jovens estão desenvolvendo insuficiência renal por causa do uso abusivo desses medicamentos. Suplementos e “chás diuréticos” também oferecem risco O perigo não está restrito aos medicamentos vendidos sob prescrição. O mercado está cheio de chás e suplementos “detox” que prometem efeito diurético natural. Embora sejam de origem vegetal, o uso contínuo e sem orientação pode ser igualmente prejudicial. O fato de ser natural não significa que seja seguro. Algumas ervas, como cavalinha, hibisco e dente-de-leão, têm ação diurética potente. Em excesso, podem causar desidratação e queda de pressão. Quando o uso é realmente indicado Os diuréticos têm papel fundamental no tratamento de doenças específicas, como hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, cirrose hepática e problemas renais. Nesses casos, o uso é cuidadosamente monitorado por médicos, com exames periódicos para acompanhar a função renal e os níveis de eletrólitos no sangue. Quando indicados corretamente, esses medicamentos salvam vidas. O problema é o uso estético ou sem supervisão, que é totalmente contra-indicado. Alternativas seguras para reduzir o inchaço Para quem sofre com retenção de líquidos leve, especialistas recomendam medidas simples e eficazes: Beber mais água: paradoxalmente, a falta de hidratação aumenta o inchaço, pois o corpo retém líquido para se proteger. Reduzir o consumo de sal: o sódio em excesso é o principal responsável pela retenção de líquidos. Praticar atividade física regularmente: melhora a circulação e ajuda na eliminação natural de líquidos. Evitar roupas apertadas e ficar muito tempo sentado: o movimento auxilia o retorno venoso e linfático. Antes de pensar em tomar qualquer diurético, é importante identificar a causa do inchaço. Pode ser algo simples, como o consumo de sal em excesso, ou algo mais grave, como um problema cardíaco. O alerta final O uso de diuréticos para fins estéticos é uma prática perigosa e enganosa. O emagrecimento que aparenta ocorrer é apenas momentâneo e, em troca, o corpo paga um preço alto. Mexer com o equilíbrio hídrico do organismo é mexer com a base da vida. E isso deve ser feito apenas sob supervisão médica.