A principal mudança com essa atualização está no LDL, conhecido como “colesterol ruim” (FreePik) A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou semana passada a Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. O documento substitui a versão de 2017. Entre as novidades, estão novas metas de colesterol, com novos marcadores, como o colesterol não-HDL, a apolipoproteína B e a lipoproteína(a). A principal mudança está no LDL, conhecido como “colesterol ruim”. Pela primeira vez, a diretriz brasileira inclui a categoria de risco extremo, específica a pacientes que já tiveram múltiplos eventos cardiovasculares: a esses, a meta é de menos de 40 mg/dL. Porém, não há um valor ideal único de colesterol para todos. A medida deve ser individualizada, a partir do risco cardiovascular de cada paciente. Nesse sentido, a diretriz recomenda o uso de cálculos mais completos de risco cardiovascular em 10 anos, como o escore Prevent, da American Heart Association. Esse modelo considera, além de idade, sexo e histórico clínico, fatores como função dos rins e índice de massa corporal (IMC), oferecendo uma estimativa mais precisa da chance de infarto ou AVC. A mudança na diretriz parte do entendimento de que reduzir ainda mais o LDL pode evitar novas ocorrências em pacientes já comprometidos na parte cardiovascular. Mais possibilidades O documento recomenda que os adultos façam pelo menos uma vez na vida a dosagem da lipoproteína(a), ou Lp(a), marcador associado a risco elevado de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Valores acima de 125 nmol/L ou 50 mg/dL indicam elevação significativa. O exame, no entanto, ainda não está disponível no SUS nem tem cobertura ampla nos planos de saúde. Apesar da ampliação das opções farmacológicas, a diretriz reforça a importância de medidas não medicamentosas. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, abandono do tabagismo, controle do peso e moderação no álcool seguem como pilares da prevenção contra problemas cardiovasculares. O oposto disso, ou seja, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, sono ruim e estresse, tem impacto direto nos níveis de colesterol da população. A expectativa da SBC é que a atualização contribua para reduzir a mortalidade cardiovascular no País, orientando tanto a prática clínica quanto políticas públicas. Para especialistas, a diretriz chega em um momento crucial diante do crescimento da obesidade, do sedentarismo e do estresse crônico na população brasileira. O que é É um tipo de lipídio (gordura) que compõe a membrana das células do nosso corpo e que também é precursor da formação de hormônios e vitaminas. É essencial para diversas funções, mas seu excesso está associado a problemas, especialmente doenças cardiovasculares, como AVC e infarto. O que muda A Sociedade Brasileira de Cardiologia atualizou a Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. O novo documento substitui a versão de 2017 e traz novas metas de colesterol, com a inclusão de novos marcadores. Colesterol ruim A nova diretriz inclui a categoria de risco extremo para o LDL, com meta abaixo de 40 mg/dL em pacientes que já tiveram eventos cardiovasculares. As metas passam a ser individualizadas, de acordo com o risco de cada pessoa. Novas metas Baixo risco – Até 115 mg/dL (antes era 130) Intermediário – Até 100 mg/dL (sem mudança) Alto – Até 70 mg/dL (sem mudança) Muito alto – Até 50 mg/dL (antes era 70) Extremo – Até 40 mg/dL (nova categoria) Prevenção Mesmo com novos tratamentos, a diretriz destaca que o autocuidado continua essencial: alimentação equilibrada, exercícios, controle do peso e abandono do tabagismo. Já o sedentarismo, os ultraprocessados, o sono ruim e o estresse elevam o colesterol e aumentam o risco cardiovascular. Objetivo A SBC espera que as novas diretrizes reduzam a mortalidade cardiovascular, especialmente diante do aumento da obesidade, sedentarismo e estresse crônico no Brasil.