O afastamento do narrador Luís Roberto das transmissões da Copa do Mundo na TV Globo após o diagnóstico de neoplasia na região cervical trouxe visibilidade a um termo amplo. Identificada em exames de rotina, a condição está em avaliação para definição do tratamento. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O diagnóstico de neoplasia cervical não determina, por si só, o tipo de tumor nem a origem. Trata-se de uma descrição inicial que indica a presença de um crescimento celular anormal na região do pescoço e que exige investigação. De acordo com a oncologista Aline Lauda, colíder nacional de oncologia de cabeça e pescoço da Oncoclínicas, um dos principais pontos de atenção nesses casos é que o pescoço nem sempre é o local onde a doença começa. “A região cervical concentra cadeias linfáticas importantes. Por isso, alterações identificadas ali frequentemente representam tumores que tiveram origem em outras áreas da cabeça e pescoço”. Um dos sinais mais comuns é o aparecimento de um caroço no pescoço, geralmente indolor. Outros sintomas podem surgir de forma associada, como rouquidão persistente, dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam e dor de garganta. Isoladamente, esses sinais podem parecer comuns, mas a persistência exige atenção. Mudanças Durante décadas, os principais fatores de risco para tumores de cabeça e pescoço foram tabagismo e consumo excessivo de álcool. Combinados, esses dois elementos aumentam significativamente o risco de desenvolvimento da doença Perfil tradicional Forte associação com cigarro e álcool Paciente típico era, em geral, fumante e/ou etilista crônico Novo cenário Nos últimos anos, especialistas observam uma mudança relevante: o aumento de tumores associados ao HPV, vírus ligado à infecção sexual, especialmente na região da orofaringe Hoje, nem todos os pacientes apresentam histórico de tabagismo ou consumo de álcool. Os casos passaram a surgir também em perfis antes considerados de menor risco, indicando uma transição no padrão epidemiológico da doença Neoplasia cervical é um termo médico que indica a presença de um crescimento anormal de células na região do pescoço. O diagnóstico, por si só, não define o tipo de tumor nem a origem, funcionando como um ponto de partida para investigação Jornada do paciente: do diagnóstico ao tratamento Sintoma: ponto de partida O processo geralmente começa com caroço no pescoço, que costuma ser indolor, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, feridas na boca que não cicatrizam e dor de garganta prolongada. Embora esses sintomas possam parecer comuns isoladamente, o principal sinal de alerta é a persistência ou a progressão ao longo do tempo Exames: investigação inicial Diante dos sintomas, inicia-se a investigação com avaliação clínica e exames de imagem,além da análise da evolução do nódulo. O objetivo é confirmar a presença de alguma alteração e orientar os próximos passos Biópsia: confirmação A coleta de amostra do tecido afetado para análise permite identificar o tipo de célula presente e confirmar se há um tumor Origem: sítio primário Após a confirmação, a investigação se volta para identificar a origem do tumor, chamada de sítio primário, que nem sempre está localizada no pescoço. Os principais locais incluem cavidade oral, garganta, laringe, tireoidee glândulas salivares Tratamento: conduta Com a definição do tipo e da extensão da doença, o tratamento é estabelecido de forma individualizada. As opções incluem cirurgia, radioterapia, quimioterapia e imunoterapia, frequentemente utilizadas de maneira combinada