Uma tomografia computadorizada revelou que o intestino da jovem de 25 anos estava completamente obstruído (Divulgação / Cureus Journal of Medical Science) Uma mulher de 57 anos passou quatro meses com sintomas intensos de constipação, que evoluíram para perda de peso significativa, dores abdominais crônicas e distensão severa. O caso, considerado atípico, foi descrito por médicos norte-americanos no Cureus Journal of Medical Science, uma respeitada revista científica de acesso aberto. A paciente perdeu cerca de 4,5 kg durante o período e só conseguiu recuperar a saúde após um tratamento médico focado na descompressão intestinal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo os profissionais responsáveis pelo relatório clínico, a mulher procurou o pronto-socorro relatando dor abdominal constante, flatulência excessiva e dificuldade extrema para evacuar, mesmo após o uso de laxantes e mudanças na dieta. Exames de imagem revelaram uma distensão intestinal significativa e acúmulo de fezes no cólon, mas nenhuma obstrução física ou bloqueio estrutural foi identificado. O diagnóstico: constipação funcional crônica Os médicos diagnosticaram a paciente com constipação funcional crônica — uma condição comum, mas que raramente atinge níveis tão extremos. “Ela apresentava um acúmulo de fezes impactadas ao longo do cólon, mas sem sinais de lesões ou tumores. O desafio foi restabelecer o funcionamento intestinal sem cirurgia”, explicaram os especialistas no artigo. Para tratar a paciente, a equipe optou por uma abordagem terapêutica que combinava medicamentos para estimular a motilidade intestinal, enemas e mudanças rigorosas no estilo de vida. A mulher foi acompanhada durante várias semanas até que, gradualmente, começou a evacuar normalmente. Perda de peso e sinais de alerta Ao longo dos quatro meses em que permaneceu constipada, a paciente perdeu 4,5 kg — o que chamou a atenção dos médicos. Embora perda de peso involuntária possa sugerir quadros mais graves, como câncer ou doença inflamatória intestinal, esse não foi o caso. “Trata-se de uma consequência indireta do quadro. A dor abdominal e a sensação constante de inchaço levaram a paciente a reduzir drasticamente sua alimentação, agravando ainda mais a constipação”, explicaram os autores do estudo. Como evitar um quadro semelhante Segundo especialistas, a constipação afeta cerca de 20% da população mundial, com maior incidência em mulheres e idosos. Entre os principais fatores de risco estão: Dieta pobre em fibras Baixa ingestão de líquidos Sedentarismo Uso excessivo de laxantes Distúrbios do assoalho pélvico ou neurológicos Nos casos mais graves, como o da paciente do estudo, a constipação pode causar impactação fecal, distensão abdominal importante, fissuras anais, hemorroidas e até risco de perfuração intestinal, embora essa última seja rara. Quando é hora de procurar ajuda médica O ideal é procurar um gastroenterologista se os sintomas persistirem por mais de três semanas, especialmente se acompanhados por: Dor abdominal frequente Sensação de evacuação incompleta Sangue nas fezes Perda de peso sem explicação Náuseas ou vômitos "Constipação não deve ser normalizada. É um sinal de que algo no trato digestivo precisa de atenção", alerta o Dr. Ahmed Yousaf, um dos autores do relatório publicado no Cureus.