A visão do projeto é simples: levar o amor de Deus aos outros estudantes (Arquivo Pessoal) De uns tempos pra cá, termos como núcleos, pockets e pequenos grupos têm viralizado nas redes sociais e nos corredores das escolas e faculdades. A ideia é simples: juntar a galera no intervalo para falar sobre Jesus e compartilhar a fé. Chamado também de intervalo bíblico, o movimento já ganhou força em instituições públicas e privadas e, pra muita gente, proporciona momentos transformadores, acolhedores e cheios de esperança. A visão do projeto é simples: levar o amor de Deus aos outros estudantes, sem a intenção de apresentar uma proposta religiosa, e sim de transmitir uma mensagem acessível a todos, independentemente da religião ou crença, como explica o pastor Lucas Felipe da Silva, líder dos Radicais Livres Universitários de São Paulo. “Os núcleos são espaços abertos, onde qualquer pessoa pode se sentir acolhida”. Na Baixada Santista, cada vez mais jovens e adolescentes fazem parte desse ‘mover’. Entre eles está a estudante de Gestão Portuária Manuella Mel Silva Pinho, de 18 anos. Tudo começou com um grupo ainda no Ensino Médio, que segue firme até hoje. Ao entrar na faculdade, ela decidiu levar a ideia adiante com o intervalo bíblico. Mas por qual motivo os jovens fazem isso? -NÚCLEO (1.482727) “As pessoas precisam saber que existe Alguém que entregou a sua vida por elas. Elas precisam saber que são amadas, perdoadas e podem viver uma vida em paz. Precisam entender que existe Jesus. Mas só terão acesso a essa verdade quando alguém se levantar para dizer.” Esse movimento nas escolas e faculdades não para de crescer. Segundo Manu, quando a galera escuta, no intervalo, a história de alguém que teve a vida transformada contada de um jeito simples, os corações começam a se abrir. “O ambiente fica mais leve, as pessoas são transformadas pelo amor de Deus”. -NÚCLEO (1.482726) A publicitária Natália de Lima Silva, de 22 anos, de Santos, também leva o movimento para a sua faculdade e vê isso como uma missão. Para ela, a fé traz esperança ao ambiente acadêmico e a estudantes que estão descobrindo seus caminhos e tomando decisões importantes para o futuro. Pockets em uma Universidade de Santos (Arquivo Pessoal) Uma das mudanças que o intervalo bíblico trouxe foi a criação de novas amizades entre alunos de diferentes cursos, promovendo mais integração dentro da faculdade. Nat comenta que a tendência dos núcleos e pockets é de expansão. “Vejo pessoas entregando a vida para Jesus e vivendo uma transformação, conseguindo ter encontros com Deus e sendo diferentes. A caminhada com Cristo também me ajudou muito a me encontrar como pessoa e como profissional, porque traz propósito”. Evangelismo nos jogos universitários, em Santos (Arquivo Pessoal) Sem fronteiras Só no Estado de São Paulo, já existem 368 núcleos espalhados por escolas, universidades e até empresas, onde cristãos aproveitam o intervalo para levar uma mensagem de fé. E o movimento não para por aí: ele já ultrapassou fronteiras, acontecendo em outros países. -NÚCLEO (1.482728) Pastor Lucas destaca que a maior transformação acontece na vida dos próprios jovens e adolescentes que participam. “Esses alunos têm experimentado mudanças reais: sentem-se mais amados, acolhidos e passam a ter uma percepção mais profunda do amor de Deus”. Liberdade Entre as orientações para os estudantes que participam de um núcleo, está a liberdade de conversar sobre diferentes assuntos durante o intervalo. Enquanto alguns grupos falam sobre estudos, futebol, festas ou outros temas, os alunos cristãos compartilham o amor de Jesus de forma natural, como esclarece Lucas. “Não se trata de um culto religioso, muitas vezes não há música ou qualquer ritual, mas de uma conversa, um bate-papo. É importante lembrar que o Estado é laico e garante a liberdade de expressão”. Ele conclui que “esse impacto reflete diretamente no ambiente escolar, onde eles passam a respeitar mais professores e autoridades, além de contribuir para um clima muito mais saudável nas instituições”.