(Reprodução / Instagram) A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos, reacendeu o debate sobre os riscos do uso indiscriminado de substâncias para ganho de performance e estética corporal. Segundo informações do atestado de óbito divulgado, a causa da morte foi registrada como “morte súbita por doença cardíaca”. Durante as investigações, a polícia também encontrou possíveis anabolizantes na residência do atleta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso chama atenção para um problema crescente de saúde pública: o uso abusivo de esteroides anabolizantes e outras substâncias hormonais sem acompanhamento médico. De acordo com a médica Caroline Daitx, especialista em medicina legal e perícia médica, os anabolizantes provocam impactos severos no organismo e estão diretamente associados ao aumento de eventos cardiovasculares graves, inclusive em pessoas jovens e aparentemente saudáveis. “Os esteroides anabolizantes podem causar um crescimento anormal do músculo cardíaco, tornando o coração mais rígido e menos eficiente. Além disso, alteram significativamente os níveis de colesterol, aumentam a pressão arterial e favorecem a formação de coágulos, criando um cenário de alto risco para infartos, arritmias e morte súbita”, explica. Segundo a especialista, os danos provocados pelo uso dessas substâncias não atingem apenas o sistema cardiovascular. O abuso também pode comprometer fígado, rins e sistema nervoso central, além de desencadear alterações psiquiátricas importantes. “Há casos de agressividade extrema, paranoia, depressão e distúrbios de imagem corporal associados ao uso excessivo dessas substâncias”, afirma. A médica também alerta para a associação cada vez mais frequente entre anabolizantes e insulina em ambientes ligados ao fisiculturismo e à busca por hipertrofia muscular acelerada. Apesar de ser essencial no tratamento de pacientes diabéticos, a insulina pode se tornar extremamente perigosa quando utilizada sem indicação médica. “A insulina é uma das substâncias mais perigosas quando utilizada fora do ambiente médico. Uma dose inadequada pode provocar hipoglicemia grave em questão de minutos. O cérebro depende da glicose para funcionar e, quando os níveis caem drasticamente, o paciente pode apresentar confusão mental, convulsões, coma e até morte cerebral”, alerta Caroline Daitx. Segundo ela, a combinação entre anabolizantes e insulina potencializa ainda mais os riscos metabólicos e cardiovasculares, aumentando a possibilidade de falência cardíaca súbita. “Não existem fórmulas seguras para o uso estético dessas substâncias. O que muitas vezes é vendido como ganho rápido de massa muscular pode esconder consequências irreversíveis para a saúde”, ressalta. O caso de Gabriel Ganley reforça o alerta de especialistas sobre a necessidade de conscientização em torno do uso de hormônios e substâncias de alta complexidade sem prescrição e acompanhamento médico adequado. Para médicos e autoridades de saúde, a busca por padrões estéticos extremos e resultados rápidos tem contribuído para o aumento de complicações graves e mortes precoces entre jovens ligados ao universo fitness e da alta performance.