Cerca de 6% das lesões medulares no Brasil resultam de mergulhos em locais com profundidade insuficiente (FreePik) Muitas pessoas buscam lazer em praias, rios, ou piscinas, mas é preciso cautela para evitar acidentes. Dados da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) indicam que cerca de 6% das lesões medulares no Brasil resultam de mergulhos em locais com profundidade insuficiente, sendo o quarto principal motivo de lesões na coluna. Lucas Junqueira, embaixador da Ottobock e atleta da seleção brasileira de rugby em cadeira de rodas, conhece bem essa realidade. Em janeiro de 2009, na praia de Ponta Negra, Rio Grande do Norte, ele sofreu um acidente ao mergulhar em uma área com um banco de areia oculto. “Fui correndo para a água furar uma onda, no raso, mas atrás da onda tinha um banco de areia. Acabei batendo a cabeça e quebrei o pescoço”, relembra Lucas. A lesão resultou em tetraplegia, exigindo cirurgia e reabilitação intensiva. Além das dificuldades físicas enfrentadas no pós-acidente, Lucas também alerta para os obstáculos encontrados durante o processo de readaptação. “Lidar emocionalmente com o acidente e a adaptação ao novo estilo de vida foi um processo desafiador e profundamente transformador. Inicialmente, foi um baque muito forte, pois perdi os movimentos e sensibilidade do pescoço para baixo, mas com o passar do tempo fui entendendo que meu corpo havia mudado e havia a necessidade de aceitar uma nova realidade”, conta ele. Desde então, o atleta faz questão de sempre alertar sobre os perigos do mergulho em águas rasas. “É importante que as pessoas saibam alguns pontos básicos, como verificar sempre a profundidade da água antes de mergulhar, evitar pular de cabeça de primeira, assim como em locais desconhecidos”, conta ele. Novas possibilidades Apesar das dificuldades e com apoio de familiares, amigos e profissionais de áreas como psicologia, terapia ocupacional, fisioterapia, protesistas, Lucas superou as dificuldades e acabou encontrando no esporte uma forma de reabilitação e superação.