A geração Z ficou conhecida como ‘nem-nem’ – nem estuda, nem trabalha. Mas será que é tão simples entrar no mercado? Entre vagas que pedem experiência, processos seletivos longos e a incerteza sobre o futuro, muitas vezes o começo da vida profissional é mais complicado do que parece. Para estagiários e jovens aprendizes, o desafio vai além de conseguir a vaga e passa por se manter e conquistar a efetivação em meio a dúvidas, pressão e insegurança. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sair do Ensino Médio e encarar o mundo profissional não é tão simples quanto parece. Para quem está na faculdade, o primeiro contato por meio de um estágio pode ser o início de tudo e virar uma grande oportunidade. Foi assim com a analista de logística Larissa Marquéria Melo, de 19 anos. Ela conta que, no começo, o maior desafio foi se adaptar à rotina no trabalho. A insegurança também bateu forte, principalmente por ainda estar aprendendo e ter pouca experiência. Já a assistente administrativa sênior Islaine Santos da Silva, de 23 anos, entrou no mercado via programa jovem aprendiz, passando pelo processo duas vezes. Na segunda tentativa, avançou e ingressou em uma empresa de logística e administração, sendo a única mulher no setor. “Por ser a única mulher, bateu uma insegurança, pois se tratava de um setor masculino. Mas também destaco os pontos importantes nessa jornada, como o trabalho em equipe e a comunicação assertiva”. Islaine: demonstrar interesse pela rotina de trabalho é fundamental para chamar a atenção e ser contratado (Arquivo pessoal) #OCAMINHODAEFETIVAÇÃO No caminho até a efetivação, surge um pensamento muito comum entre os jovens: “será que terei uma chance ou precisarei sair de onde estou?”. Lari viveu tudo isso e, com o fim do contrato do estágio chegando, decidiu focar no próprio desempenho para lidar com as incertezas. No fim, o comprometimento e a vontade de aprender fizeram a diferença para ser efetivada. “Mesmo sem muita experiência, sempre procurei ser proativa, ajudar no que fosse possível e demonstrar interesse em entender mais sobre os processos. Outros pontos importantes foram a responsabilidade com as tarefas e o cuidado com os detalhes, que são essenciais na logística e em trânsitos internacionais”. Islaine descreve esse momento como “desesperador”. Ela foi atrás de feedback, quis entender como estava indo e deixou claro que queria continuar na empresa. Mas o que realmente fez a diferença nesse processo foi o olhar para si mesma, entendendo onde podia evoluir e mostrar, na prática, que estava ali para somar. #VEMCOMAESPECIALISTA A advogada e head trabalhista Elizabeth Greco explica que os desafios para os jovens no mercado de trabalho são muitos, tanto para entrar quanto para se manter. Entre os principais, a falta de experiência, a baixa qualificação e a precarização das relações de trabalho. E nisso tudo ainda tem um problema. Segundo ela, estudos apontam que, até 2027, 23% das ocupações devem sofrer impactos com o avanço das novas tecnologias. “Temos um mercado de trabalho em transformação e cada vez mais competitivo. Há a compreensão de que a busca por capacitação e qualificação para a busca do primeiro emprego será o diferencial”. Mesmo buscando empregos, a geração Z ainda carrega o rótulo de ‘nem-nem’ e essa visão, muitas vezes, pesa negativamente na hora da contratação. “Pensando nisso, investimentos com capacitação e culturas organizacionais focadas na qualidade e satisfação farão a diferença para a inserção e manutenção dos jovens no mercado de trabalho, uma via de mão dupla”, conclui a especialista. #DICASDEOURO Lari, a estagiária que conquistou a efetivação, dá a dica aos jovens: não desanimar. “O processo pode ser incerto, em especial quando o contrato está perto do fim, e isso gera ansiedade. Mas o mais importante é manter a consistência, demonstrar interesse (...) E mesmo que não aconteça, o conhecimento e a experiência adquiridos abrem outras portas. O futuro não é decidido no momento da oportunidade, mas construído silenciosamente em cada atitude”. Islaine, destaca que demonstrar interesse pela rotina de trabalho foi decisivo para sua contratação. “Eu queria aprender e mostrar que havia comprometimento e responsabilidade em relação ao ambiente corporativo”.