(Divulgação / Freepik) A chegada da menopausa marca uma fase de transformações importantes no organismo feminino, e uma das áreas mais impactadas é a saúde do coração. A queda do estrogênio, hormônio que exerce papel de proteção cardiovascular, aumenta o risco de doenças cardíacas e exige atenção redobrada com a prevenção. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a cardiologista Fernanda Douradinho, essa mudança hormonal altera diretamente o funcionamento do sistema cardiovascular. O estrogênio ajuda a proteger os vasos sanguíneos, melhora a função endotelial, favorece o aumento do HDL (colesterol considerado “bom”) e reduz o LDL (colesterol “ruim”), além de contribuir para a vasodilatação e reduzir processos inflamatórios. Com a diminuição desse hormônio, porém, diversos mecanismos passam a favorecer o desenvolvimento de doenças cardíacas. “Ocorre aumento da rigidez arterial, maior disfunção endotelial, maior formação de placas de gordura nas artérias e aumento da gordura visceral”, explica a especialista. Esse conjunto de mudanças faz com que o risco cardiovascular das mulheres, que antes era menor, passe a se aproximar do dos homens — e, em alguns casos, até superá-lo após a menopausa. Infarto feminino pode ter sintomas diferentes Outro desafio importante está no diagnóstico do infarto em mulheres. Ainda existe subestimação dos sinais da doença, o que pode atrasar o atendimento médico e aumentar o risco de complicações. Isso ocorre porque os sintomas nem sempre seguem o padrão clássico de dor intensa no peito. Embora a dor torácica possa aparecer, ela muitas vezes não é o principal sinal. Entre os sintomas mais comuns nas mulheres estão: fadiga intensa e súbita, falta de ar, náuseas, dor nas costas ou na mandíbula, desconforto na região do estômago, sensação de ansiedade inexplicável. Além disso, muitas mulheres demoram mais para procurar ajuda médica ou têm seus sintomas inicialmente subvalorizados, o que contribui para maior mortalidade hospitalar feminina. Mudanças metabólicas também aumentam risco Após a menopausa, o corpo passa por uma série de alterações metabólicas que ampliam o risco cardiovascular. Entre elas estão: aumento do LDL (colesterol ruim), redução do HDL (colesterol bom), elevação da pressão arterial, maior resistência à insulina, aumento da incidência de diabetes, acúmulo de gordura abdominal. Mulheres que tiveram complicações na gravidez também merecem atenção especial. Histórico de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou hipertensão gestacional pode elevar ainda mais o risco de problemas cardiovasculares ao longo da vida. Prevenção é a principal aliada Diante desse cenário, a prevenção torna-se fundamental para preservar a saúde do coração após a menopausa. Entre as principais recomendações estão: prática regular de exercícios aeróbicos e de força, controle do peso e da circunferência abdominal, alimentação rica em fibras, vegetais e proteínas magras, sono de qualidade, controle do estresse. Também é importante realizar acompanhamento médico periódico e exames de rotina, como perfil lipídico completo, glicemia, hemoglobina glicada (HbA1c) e aferição regular da pressão arterial. Em alguns casos, pode ser indicada uma avaliação mais detalhada do risco cardiovascular, incluindo exames como o escore de cálcio coronariano. Terapia hormonal exige avaliação individual A cardiologista ressalta que o uso de terapia hormonal não deve ser iniciado apenas com objetivo de proteção cardiovascular. A indicação deve ser feita de forma individualizada, principalmente em mulheres que apresentam sintomas da menopausa. “Após a menopausa, o coração da mulher deixa de ter proteção hormonal, mas ganha a oportunidade da prevenção”, conclui a especialista.