O fenômeno é causado por microalgas dinoflageladas, como Noctiluca scintillans (Reprodução / Instyagram / Vidacaicara.uba) Imagine caminhar à beira-mar e ver as águas brilharem como luzes de néon ao toque dos pés. No Brasil, algumas praias, escondidas entre palmeiras e areia, exibem esse espetáculo natural chamado bioluminescência, resultado de micro-algas que emitem luz ao serem movimentadas. O fenômeno, raro e delicioso para os sentidos, pode ser visto em determinados períodos e condições, e vem ganhando atenção de turistas e cientistas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é esse “mar luminoso”? A bioluminescência marinha ocorre principalmente quando micro-organismos chamados dinoflagelados ou bactérias marinhas produzem luz como resposta a estímulos físicos. Em noites escuras de lua nova ou mar agitado, as ondas passam a se iluminar com pinceladas de azul-claro ou verde-água. Segundo cientistas, o fenômeno ocorre por uma reação química ligada ao oxigênio e fermentos celulares das algas em estresse, uma verdadeira “festinha” luminosa na borda do mar. Onde é possível ver no Brasil? Há registros do fenômeno em praias brasileiras. Entre as mais citadas estão: A costa norte de Santa Catarina e o litoral sul do Paraná, onde o plankton encontra condições ideais de temperatura e salinidade. Ilhas e praias remotas no Nordeste, como em Alagoas, onde águas claras facilitam a visualização. Trechos do litoral paulista em noites sem lua e com mar calmo, embora o fenômeno ainda seja pouco frequente por aqui. Por que isso acontece e por que nem sempre aparece? Especialistas explicam que a ocorrência depende de uma combinação fina de fatores: Ausência de luz da lua e das cidades: quanto mais escuro o ambiente, melhor visível fica o efeito. Baixa poluição luminosa e água limpa: praias isoladas ou com pouca iluminação urbana favorecem o espetáculo. Movimento da água: ondas suaves, ou até um leve remoinho, ativam os organismos luminescentes. Temperatura e nutrientes: águas mornas com nutrientes apropriados favorecem o crescimento de micro-algas. Por isso, mesmo em locais com potencial, a bioluminescência não aparece sempre — é preciso ter “a noite certa”. Turismo e experiência noturna Para quem deseja testemunhar esse fenômeno, especialistas do turismo recomendam: Visitar a praia entre meados e final de ano, quando as condições costumam ser mais favoráveis. Ir mais tarde à noite, após as luzes da orla se apagarem e preferencialmente em noite sem lua. Levar uma lanterna vermelha (não branca): ajuda na locomoção sem atrapalhar a visão da bioluminescência. Evitar locais muito movimentados ou com iluminação forte, — quanto mais escuro ao redor, melhor. Registrar com câmera de longa exposição: o fenômeno aparece melhor na foto como riscos ou “trilhas” luminosas.