Perder peso costuma ser um grande desafio, mas especialistas afirmam que a parte mais complicada vem depois: manter o resultado. Quem já passou por um processo de emagrecimento sabe que, muitas vezes, a balança insiste em subir novamente — mesmo com alimentação equilibrada e prática de exercícios. Mas afinal, por que o corpo resiste tanto a essa estabilidade? Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O corpo entra em “modo defesa” De acordo com endocrinologistas e nutricionistas, o organismo humano foi programado, ao longo da evolução, para sobreviver em tempos de escassez. Quando ocorre a perda de peso, o corpo interpreta a redução como um sinal de ameaça, ativando mecanismos de defesa para recuperar a gordura. Entre eles estão: Queda no gasto energético: após o emagrecimento, o metabolismo desacelera, fazendo com que o corpo gaste menos calorias em repouso. Aumento da fome: há uma elevação nos hormônios que estimulam o apetite, como a grelina. Redução da saciedade: hormônios ligados à sensação de plenitude, como a leptina, diminuem. Essas mudanças explicam o famoso “efeito sanfona”, quando a pessoa emagrece, mas volta a engordar pouco tempo depois. Estudos comprovam a dificuldade Pesquisas publicadas em revistas científicas internacionais, como a Obesity Reviews e o American Journal of Clinical Nutrition, apontam que até 80% das pessoas que emagrecem voltam a ganhar peso nos cinco anos seguintes. Esse fenômeno não está ligado apenas à falta de disciplina, mas sim à biologia do corpo humano. Segundo especialistas, para manter o peso a longo prazo, é necessário um novo ponto de equilíbrio metabólico — o que exige mudanças permanentes no estilo de vida, e não apenas dietas temporárias. Fatores emocionais e sociais Além da biologia, questões emocionais e sociais também dificultam a manutenção. O estresse, a ansiedade, o sono irregular e o ambiente alimentar (marcado por excesso de produtos ultraprocessados) influenciam diretamente no comportamento alimentar e podem contribuir para o reganho de peso. “O grande segredo não é só perder peso, mas aprender a viver com novos hábitos. O corpo sempre vai tentar voltar ao peso anterior. É por isso que o acompanhamento médico e nutricional faz tanta diferença”, explica a endocrinologista fictícia Dra. Mariana Leme, consultada pela reportagem. Estratégias que ajudam Especialistas listam medidas que podem facilitar a manutenção do peso: Alimentação equilibrada e realista, sem dietas extremamente restritivas; Atividade física regular, com treino de força para preservar massa muscular; Sono de qualidade, já que noites mal dormidas alteram hormônios ligados à fome; Gestão do estresse, com práticas como meditação e terapia; Acompanhamento profissional contínuo, evitando recaídas sem orientação. O desafio é coletivo Nutricionistas ressaltam que não basta individualizar a responsabilidade. É preciso discutir políticas públicas que estimulem hábitos saudáveis, como rotulagem adequada, regulação de publicidade de ultraprocessados e incentivo ao acesso a alimentos frescos. Manter o peso, portanto, é um processo de longo prazo, que vai além da força de vontade. É um desafio biológico, psicológico e social — e compreender esses mecanismos pode ajudar a criar estratégias mais eficazes para vencer a balança.