Combinar intensidade, consistência e recuperação é essencial na hora do exercício físico (Divulgação / Freepik) Nas academias, essa é uma das perguntas mais frequentes entre praticantes de musculação: para ganhar massa muscular, é melhor levantar mais peso ou fazer mais repetições? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Enquanto uns defendem o treino pesado como segredo da hipertrofia, outros acreditam que a quantidade de repetições e séries é o verdadeiro responsável pelos músculos definidos. Mas, a ciência mostra que a resposta não é tão simples e que o ideal pode depender de vários fatores, como objetivo, experiência e até alimentação. Não existe uma única receita válida para todos. O ganho de massa muscular está relacionado à intensidade do treino, ao volume total e à recuperação adequada do corpo. O que dizem os estudos científicos? Diversas pesquisas recentes têm comparado os efeitos de cargas altas (entre 75% e 90% da carga máxima) e cargas moderadas (entre 50% e 70%) na hipertrofia muscular. Um estudo publicado no Journal of Strength and Conditioning Research mostrou que tanto treinos com cargas elevadas e poucas repetições quanto treinos com cargas moderadas e mais repetições podem promover o crescimento muscular, desde que realizados até a chamada falha muscular, o ponto em que o praticante não consegue completar outra repetição com boa técnica. O que determina o estímulo para o crescimento não é necessariamente o peso, mas o esforço e a tensão mecânica aplicada sobre o músculo. Se você chega próximo da falha, o resultado tende a ser semelhante. A diferença principal está nos adaptamentos secundários: treinos com cargas altas tendem a melhorar mais a força máxima, enquanto séries mais longas, com peso moderado, aumentam a resistência muscular. O papel da individualidade biológica Cada corpo responde de forma diferente ao treino, e é por isso que copiar a planilha de outra pessoa quase nunca funciona. Uma pessoa pode ter fibras musculares predominantemente rápidas, que respondem melhor a estímulos de alta intensidade e baixa repetição. Outra pode ter fibras mais lentas, que se adaptam melhor a séries longas. Além disso, fatores como idade, nível de condicionamento e dieta interferem diretamente no resultado. Sem alimentação adequada, especialmente ingestão suficiente de proteínas, o ganho de massa simplesmente não acontece, independentemente da estratégia usada. Treinar pesado não significa treinar errado Um erro comum nas academias é associar o ganho muscular à quantidade de peso levantado, ignorando a execução correta. Não adianta colocar mais carga e perder a técnica. Isso aumenta o risco de lesão e diminui o estímulo sobre o músculo. Para quem busca hipertrofia, o ideal é ajustar o peso até o ponto em que as últimas repetições fiquem desafiadoras, mas ainda com boa forma de movimento. Se você faz 12 repetições e a última é muito fácil, está leve demais. Se mal consegue completar seis e perde a postura, está pesado demais. O equilíbrio é o segredo. Como montar o treino ideal Especialistas sugerem alternar períodos de carga alta e volume maior ao longo do mês, técnica conhecida como periodização. Esse método evita a estagnação e reduz o risco de sobrecarga. Uma estrutura comum é: Semanas de força: 4 a 6 repetições com carga alta (80% a 90% da carga máxima). Semanas de hipertrofia: 8 a 12 repetições com carga moderada (70% a 80%). Semanas de resistência: 12 a 15 repetições com carga leve (60% a 70%). Essa variação garante estímulos diferentes para o músculo e otimiza resultados a longo prazo. Recuperação e sono: os fatores esquecidos Mais do que treinar intensamente, é essencial respeitar o descanso. O crescimento muscular ocorre durante o período de recuperação, quando o corpo reconstrói as fibras danificadas no treino. Dormir mal ou treinar o mesmo grupo muscular todos os dias impede a regeneração das fibras e pode causar o efeito contrário: perda de massa. O ideal é permitir um intervalo de 48 a 72 horas antes de repetir o mesmo grupo muscular e garantir ao menos 7 a 8 horas de sono por noite. A importância da alimentação e da consistência A nutrição também é peça-chave no processo. Segundo a nutricionista esportiva Carolina Menezes, “sem excedente calórico ou seja, consumir mais calorias do que se gasta, o corpo não tem combustível para construir massa. É recomendado priorizar alimentos ricos em proteínas (ovos, frango, peixe, carnes magras, leguminosas), além de carboidratos complexos e boas gorduras, que auxiliam na recuperação e no desempenho. E não adianta treinar um mês e esperar milagres. O ganho de massa é um processo lento, que exige disciplina e paciência. Equilíbrio é a resposta Mais peso ou mais repetições? A resposta é: depende. Ambos os métodos funcionam, desde que o treino seja bem estruturado, a execução correta e o descanso adequado. O segredo está em combinar intensidade, consistência e recuperação. Músculo cresce com estímulo, nutrição e tempo — não com pressa.