Muitas mulheres, que têm lipedema, relatam baixa autoestima, ansiedade e depressão (Divulgação) Inchaço persistente nas pernas, dor ao toque, sensação de peso e dificuldade para emagrecer. Sintomas que muitas mulheres associam à má circulação ou ao sobrepeso podem, na verdade, indicar um distúrbio ainda pouco conhecido: o lipedema. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), cerca de 10% das mulheres brasileiras sofrem com essa doença crônica e genética, que provoca o acúmulo anormal de gordura nas extremidades, principalmente coxas, quadris, joelhos e tornozelos. Apesar de comum, o lipedema é frequentemente confundido com obesidade ou linfedema, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento adequado. O que é o lipedema O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, caracterizada pelo crescimento desproporcional de gordura em regiões específicas do corpo, quase sempre nos membros inferiores e superiores. A principal diferença para a obesidade é que o lipedema não está relacionado diretamente à alimentação, e a gordura acumulada não desaparece com dieta ou exercícios. “O lipedema é uma doença inflamatória e hereditária. Ele provoca dor, sensibilidade e aumento do volume nos membros, com aparência desproporcional em relação ao tronco”, explica a angiologista Dra. Ana Paula Lemos, membro da SBACV. O distúrbio é mais comum em mulheres e costuma se manifestar após alterações hormonais, como a puberdade, gestação ou menopausa, o que reforça a influência dos hormônios femininos na doença. Sintomas mais comuns do lipedema Os sintomas podem variar em intensidade, mas geralmente incluem: Aumento desproporcional de gordura em pernas, coxas e braços Dor, sensibilidade e inchaço ao toque nessas regiões Sensação de peso e cansaço nas pernas Aparência de celulite intensa e pele irregular Facilidade em formar hematomas Dificuldade de emagrecer mesmo com dieta e exercícios Em casos mais avançados, o acúmulo de gordura pode causar deformidade estética, afetar a mobilidade e impactar a autoestima. Causa genética e influência hormonal O lipedema tem forte componente genético, e é comum encontrar mães e filhas com sintomas semelhantes. Além disso, o desequilíbrio hormonal é um dos principais gatilhos. Os hormônios femininos, especialmente o estrogênio, desempenham um papel importante na retenção de gordura e líquidos. Por isso, muitas mulheres notam o surgimento ou piora do lipedema após eventos hormonais importantes. Por que o lipedema é confundido com obesidade O erro de diagnóstico é frequente porque o lipedema não altera o peso de forma uniforme, a gordura se concentra apenas em certas partes do corpo, enquanto o tronco permanece proporcional. Isso leva muitas mulheres a acreditarem que precisam apenas “emagrecer”, mas o problema não está ligado ao excesso de calorias, e sim a uma doença metabólica e inflamatória. Mulheres com lipedema fazem dieta e exercício e notam que emagrecem no rosto e no abdômen, mas as pernas e braços continuam inchados. Essa resistência ao emagrecimento é um dos sinais mais típicos”, comenta a fisioterapeuta dermatofuncional Patrícia Ferraz. Tratamentos disponíveis Embora não tenha cura, o lipedema pode ser controlado e tratado com acompanhamento médico multidisciplinar, que envolve: 1. Drenagem linfática e pressoterapia Técnicas que ajudam a reduzir o inchaço e aliviar o desconforto. 2. Alimentação anti-inflamatória Dieta com baixo teor de carboidratos e ultraprocessados, rica em vegetais e gorduras boas (como azeite e abacate), pode diminuir inflamações e melhorar os sintomas. 3. Exercícios de baixo impacto Atividades como natação, pilates e caminhada estimulam a circulação sem sobrecarregar as articulações. 4. Uso de meias de compressão Essenciais para melhorar o retorno venoso e reduzir a sensação de peso nas pernas. 5. Lipoaspiração específica (lipoescultura linfática) Em casos mais graves, a cirurgia de remoção da gordura lipedêmica pode trazer alívio duradouro e melhorar a mobilidade. A lipoaspiração para lipedema é diferente da estética. Ela deve preservar o sistema linfático e ser feita por profissionais capacitados. Impacto na saúde emocional Além do desconforto físico, o lipedema tem forte impacto psicológico. Muitas mulheres relatam baixa autoestima, ansiedade e depressão, já que convivem por anos com o corpo inchado sem entender a causa. É comum que pacientes com lipedema se sintam culpadas por não conseguirem emagrecer, mesmo seguindo dietas restritivas. Quando o diagnóstico é confirmado, vem o alívio de finalmente entender o que está acontecendo. Importância do diagnóstico precoce O diagnóstico é clínico, baseado em exame físico e histórico familiar, mas pode ser confirmado com exames complementares, como ultrassonografia e ressonância magnética. Detectar o lipedema cedo evita complicações como o linfedema secundário, quando há acúmulo de líquido nos tecidos, e melhora a resposta aos tratamentos.