O que muitos não imaginam é que, por trás das cores e sabores, os vapes podem causar danos sérios à saúde (Imagem Ilustrativa/FreePik) De uns tempos pra cá, os vapes, pods e cigarros eletrônicos deixaram de ser novidade e passaram a fazer parte da rotina, especialmente entre a geração mais jovem. O que muitos não imaginam é que, por trás das cores e sabores, esses dispositivos podem causar danos sérios à saúde. Por outro lado, nas próprias redes um ‘movimento’ da mesma geração apareceu: aqueles que decidiram abandonar o vício e inspirar outros a fazer o mesmo. Aquilo que parece trazer prazer e destaque entre os amigos pode, na verdade, causar problemas graves ao corpo — tanto imediatos quanto ao longo do tempo. Entre os efeitos mais comuns estão a inflamação e irritação nas vias respiratórias, que atingem não só o pulmão, mas também as vias aéreas superiores. Em casos mais graves, o uso contínuo pode levar a lesões pulmonares causadas pelo cigarro eletrônico, como explica o médico pneumologista Leonardo Furno Petraglia. Com tantos riscos à saúde, parte dessa mesma geração passou a expor nas redes sociais as consequências do uso do cigarro eletrônico. No TikTok, por exemplo, é cada vez mais comum ver relatos de quem quer abandonar o vape, inclusive de influenciadores conhecidos, como JP Mota, Foganolli e Isa Paoli, que já mostraram o desejo de se livrar do vício. Em seus vídeos, eles incentivam outros jovens a parar de usar o cigarro eletrônico. #MUDANÇA O publicitário Gabriel Ferreira, de Praia Grande, relatou que tudo começou em 2024, motivado pela curiosidade em ambientes sociais, onde ele começou a fumar. O vício, porém, começou quando o uso passou a ocorrer também em dias comuns, até que, em um determinado momento, ele tomou consciência dos riscos que o hábito poderia trazer para a sua vida. “Eu já tive histórico de parentes que tiveram problemas de saúde por conta de fumar. E eu me dei conta de que é uma coisa muito pior que o cigarro e que eu estava fumando; percebi que podia estar acelerando esse processo ainda”, conta, ressaltando as dificuldades impostas pelo vício. “Às vezes eu saio para beber um pouco com os amigos. Dá uma vontade, sabe? Mas eu não fumo, porque, a longo prazo, não vai valer a pena pra mim. Penso que aquele momento de diversão vai me custar a vida”. #DADOSCOMPROVAM O uso dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) tem crescido cada vez mais entre os jovens e adolescentes. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, do IBGE, um em cada seis adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, já experimentou o cigarro eletrônico pelo menos uma vez. Outro levantamento, a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE, mostra que jovens entre 15 e 24 anos representam 70% dos consumidores de vapes no Brasil. #MASPORQUEÉTÃOVICIANTE? O principal risco do cigarro eletrônico está na nicotina, mas, como destaca o médico, o perigo vai muito além, já que esses dispositivos podem conter diversas outras substâncias. “Estamos falando de algo que é proibido no Brasil, então é importado de forma ilegal e quem consegue certificar o que tem lá dentro? Então é um risco ao organismo por toxinas que vão afetar pulmão, cérebro e coração”. Nessa fase da juventude, o cérebro ainda está em desenvolvimento e acaba sendo exposto a substâncias nocivas, o que pode causar impactos a longo prazo. Além disso, o uso dos pods muitas vezes funciona como porta de entrada para o cigarro tradicional e, em alguns casos, pode ser ainda mais perigoso do que ele. “Foi feito um estudo que foram identificadas mais de mil substâncias, muitas delas cancerígenas e lesivas ao cérebro, coração, pulmão, rins. Portanto, o cigarro eletrônico em alguns aspectos pode ser mais perigoso que o cigarro convencional”. COMO PARAR? Segundo Leonardo, quem desenvolve dependência pode contar com diferentes formas de terapia, como o acompanhamento psicológico e o tratamento comportamental. Em casos de dependência de nicotina, há também a possibilidade de usar adesivos de reposição ou até medicações específicas, como a bupropiona, mesma indicada para ajudar na “cessação do tabagismo convencional”.