Thalita Nascimento é dona de uma loja de moda para treinos e Ana Vitorya empreende no área da beleza (Arquivo Pessoal e Alexsander Ferraz / AT) De negócios criativos a marcas autorais, a nova geração não espera o sucesso bater na porta — ela cria o próprio caminho. Com uma boa ideia, redes sociais e coragem para começar, jovens empreendedores transformam sonhos em projetos reais. Na Baixada Santista, muitos já estão provando que empreender cedo e sem medo pode ser o primeiro passo para fazer história. Ganhar responsabilidade, correr riscos calculados, conquistar independência e autoconfiança estão entre os aprendizados que surgem ao começar um negócio ainda na juventude. Decidir empreender nessa fase da vida pode abrir portas e trazer vantagens únicas, como destaca a analista de negócios do Sebrae, Luana Melo. “Ter seu próprio negócio é uma responsabilidade, mas ter grandes responsabilidades na juventude faz com que a consciência do desempenho e do resultado de um empreendimento esteja ligada à rotina, atenção e constância”. Com vontade de traçar um novo caminho e sair da zona de conforto A lash designer e designer de sobrancelhas Ana Vitorya Silvino Jesus, de 21 anos, moradora de Santos, percebeu que vivia apenas para o trabalho, sem tempo para outras coisas. Antes com carteira assinada, ela encontrou na perda da avó um ponto de virada: decidiu fazer algo que realmente gostava e apostou no universo da beleza, abrindo o próprio negócio. Iniciar um negócio do zero e sozinha, ainda mais aos 18 anos, foi um grande desafio para Vi. Ela precisou persistir, aprender na prática e lidar com as dificuldades, mas no fim tudo se transformou em resultado e muito aprendizado. “Aprendi que sem foco não dá para manter nada. É preciso constância todos os dias, porque sei que o meu negócio depende de mim. Se eu não estiver bem, focada e firme, nada vai bem. Vá com tudo e não deixe de seguir os seus sonhos. Deus irá te ajudar, porque Ele nunca me desamparou”. #AMEOPROCESSO Para a geração mais nova, empreender é a chance de unir paixão e vontade de criar algo novo. Foi exatamente assim que a criadora da Bawnce, Thalita Nascimento Araújo, de 26 anos, de Praia Grande, decidiu começar. Misturando moda com roupa de treino, ela criou sua própria marca. Para Thalita, empreender exige paciência e, acima de tudo, amor pelo processo. “O conselho que eu dou é realmente se jogar, meter as caras e ir com medo mesmo! Ser apaixonado pelo processo e não somente pela vitória, porque sempre vai existir aquela 'vontadezinha' de jogar tudo para o alto e voltar à estaca zero. É importantíssimo se manter no foco e entender que vale muito a pena”. AS REDES SOCIAIS AJUDAM? Vivemos em um mundo totalmente conectado, especialmente nessa faixa etária, e as redes sociais podem fazer toda a diferença nesse processo. Thalita destaca que sua marca evoluiu muito no Instagram “depois que me mantive firme e focada, postando todos os dias”. “Quando bem usadas, as redes sociais trazem muita visibilidade e credibilidade — principalmente o Instagram”, destaca Vitorya. Com criatividade e estratégia, é possível alcançar milhares de pessoas sem grandes investimentos. Porém, isso não significa que qualquer produto ou empresa terá sucesso apenas por estar na internet, acrescenta Luana. “Não basta postar, é necessário construir uma marca com propósito, manter consistência e estar preparado para críticas”. QUERO COMEÇAR. E AGORA? A analista de negócios comenta que um dos erros mais recorrentes dos jovens ao iniciar no mundo do empreendedorismo é a falta de planejamento, mas ressalta que isso não é exclusivo da nova geração. “Muitas vezes, por falta de experiência, informação ou orientação, acabam subestimando etapas essenciais como análise de mercado, definição de público-alvo, precificação e controle de custos. Buscar capacitação, orientação e apoio técnico antes de dar os primeiros passos é essencial. De acordo com ela, empreender com propósito é importante, mas é fundamental validar a ideia. “O jovem empreendedor precisa estar atento às mudanças de comportamento do consumidor e mercado, buscar constantemente feedback e inovação, olhar para fora e aprimorar suas operações e entregas. O grande desafio de empreender é não ficar preso à rotina e o jovem, por conta de estar mais aberto, pode levar vantagem nesse aspecto”.