As irmãs Joyce (na foto acima, canto direito) e Juliana (canto esquerdo) conheceram a força do voluntariado junto a refugiados na Capital. (Alexsander Ferraz) Um estudo de 2022, realizado pelo Datafolha e o Instituto para o Desenvolvendo do Investimento Social (Idis), com o apoio do Instituto Itaú Social, indicava que a média de idade de quem pratica voluntariado era de 43 anos. Porém, a empatia e o olhar para o próximo podem começar bem antes, quando ainda se é jovem. E a empatia não vê fronteiras nem idiomas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o caso das irmãs gêmeas Joyce Ramalho de Santana e Juliana Ramalho de Santana, de Guarujá. Elas, que têm 27 anos, fazem parte da Pastoral de Mobilidade Humana, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, e atuam junto a imigrantes e refugiados na Baixada Santista há três anos. “A gente já fazia voluntariado na Missão Paz, ligada aos missionários scalabrinianos (alusão a São João Batista Scalabrini, considerado pai dos imigrantes) em São Paulo. E vimos que também existe essa realidade migratória no Litoral. Então, resolvemos que poderíamos fazer algo por essas pessoas”, explica Joyce, que é pedagoga. Uma das atividades prestadas aos imigrantes e refugiados consiste em aulas de português, em que são ensinadas algumas palavras do nosso idioma a quem o destino tornou seus novos lares. Há pessoas da Venezuela, Senegal e Gana, entre outros países. “Há um fluxo grande de pessoas. Uns ficam aqui, outros voltam para São Paulo em busca de trabalho. Dividimos em duas turmas: o básico 1, que é para quem chega agora no Brasil, onde ensinamos expressões como “bom dia” ou “boa tarde”, e o básico 2, para quem quer aprender mais a gramática”, explica. A pedagoga conta que, no caso dos senegaleses, embora a língua oficial do país seja o francês, muitos optam por falar em um dialeto chamado uolofe. “Muitos não eram alfabetizados, não frequentaram a escola no Senegal. Então, o desafio foi muito grande, de ensinar a pegar no lápis, copiar em um caderno”, acrescenta. As aulas acontecem na paróquia, enquanto outras abordagens aos estrangeiros acontecem nas praias, por exemplo. Segundo ela, cerca de 100 pessoas já foram atendidas desde 2022. Para março, os voluntários planejam uma partida de futebol beneficente em prol dos assistidos. ASSISTÊNCIA JURÍDICA Joyce lembra que o projeto começou com a entrega de cestas básicas, estreitando um laço de amizade e confiança com os refugiados e imigrantes. “Também pretendemos ampliar uma assessoria jurídica a essas pessoas. Por enquanto, a gente anota os casos e envia para a Missão Paz. A assistência médica é outra preocupação das irmãs voluntárias (outras três pessoas as ajudam na Pastoral da Mobilidade). “Fui com eles ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para que tirassem carteirinha do Sistema Único de Saúde (SUS). É importante para eles. Já teve casos de mulheres que suspeitava-se que tinham câncer no útero e, após exames, foi descoberto que eram miomas, que serão retirados”, lembra. Para a voluntária, o trabalho junto aos estrangeiros tem um valor inestimável: fazer com que a sociedade se sensibilize com essa questão do imigrante no Brasil, “A gente precisa se colocar no lugar do outro, porque ainda tem muita xenofobia. É se colocar mais no lugar do outro. Ter mais empatia”, complementa. KITS DE AMOR E EMPATIA A assistente de Recursos Humanos Gabriely Cancian, de 24 anos, leva amor em forma de refeição a pessoas em vulnerabilidade social que vivem nas ruas de Santos. Ela é voluntária do projeto Entregas por Santos, que existe desde 2015. Poder estender a mão a quem tem fome, para ela, é uma forma de também evoluir como pessoa. Gabriely traçou outra rota de amor ao próximo e faz parte de um grupo que distribui alimentos e produtos de higiene para pessoas em situação de rua em Santos (Alexsander Ferraz) "Conheci o trabalho pelo Instagram. Os voluntários não apenas doam os itens, mas também participam ativamente das entregas. Naquele momento, senti um forte desejo de fazer parte desse movimento e contribuir para levar um pouco de conforto e acolhimento a pessoas em situação de rua, que enfrentam momentos tão difíceis”, descreve. Ela conta que os coordenadores que estão há mais tempo fazem todo o controle dos itens que vão sendo arrecadados e quem irá levar cada coisa. “Quando nos reunimos, gosto de ficar na montagem dos kits. Faço a contagem para saber se está tudo em conformidade e me reúno com os outros voluntários para iniciarmos a montagem de cada kit e separar entre os carros dos motoristas voluntários. Aí nos dividimos entre os carros e iniciamos a rota de entrega”, explica. PLANEJAMENTO Cada kit é composto de uma garrafa de água de 500ml, um pacote de bolacha, suco, um sanduíche de mortadela, um sabonete, além de pasta e escova de dente, bem como um rolo de papel. “Normalmente fazemos 80 kits e iniciamos a rota pela Praça Nossa Senhora Aparecida, e seguimos pela Avenida Afonso Pena, no Macuco. Vamos pela Avenida Rodrigues Alves, próximo à Avenida Conselheiro Nébias, e seguimos em direção ao Centro. Atendemos as pessoas que seguem no caminho até chegar ao Fórum, na Praça José Bonifácio”, enumera Gabriely. Ela lamenta a ausência de adolescentes engajados no projeto. “Estão em falta, não sei exatamente se por falta de interesse ou conhecimento dos projetos sociais, mas é bem raro ver jovens do Ensino Médio participando dessas ações. Em três anos de voluntariado, não lembro de ter visto um sequer”.