Para quem vive na Baixada Santista, calor intenso e mudanças no clima já deixaram de ser assuntos distantes há tempos. Nos últimos anos, dias com temperaturas muito altas, temporais repentinos e ressacas do mar passaram a fazer parte da rotina da população. Enquanto alguns ainda tentam entender como será o futuro, alguns jovens encontraram maneiras de fazer parte da mudança. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O estudante Matheus Sousa Oliveira, de 17 anos, morador da Vila Sônia, em Praia Grande, sentiu os efeitos do calor dentro da própria escola. Segundo ele, “teve dias no começo do ano que não dava nem para respirar por conta do calor”. A experiência também despertou nele uma preocupação maior com o meio ambiente. No ano passado, dois professores organizaram uma eletiva voltada para a coleta e separação de lixo nas praias da Cidade. Matheus participou da iniciativa ao lado de amigos e ajudou a registrar as atividades em um canal no YouTube. “Foi bem legal e divertido. Levamos a coleta e separação de lixos encontrados como uma forma divertida, e não como algo ruim”. Geração que participa A estudante Pietra Campos, de 18 anos, também decidiu transformar a preocupação ambiental em prática. Moradora do Canto do Forte, ela cursa Ciências do Mar na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e participa da ONG Formiguinhas da Praia, fundada por sua mãe, Alessandra Campos. A relação com a preservação começou ainda dentro de casa. Pietra passava as férias em Praia Grande. Quando ia à praia, ela e a família recolhiam o lixo deixado no local onde ficavam. Isso se tornou hábito na pandemia e Alessandra começou a recolher o lixo encontrado durante caminhadas. A iniciativa foi compartilhada nas redes sociais e, aos poucos, ganhou mais participantes. O que começou com pequenas ações se transformou em uma organização com equipes espalhadas pelas 12 praias do Município. O grupo também atua com gestão de resíduos em condomínios e eventos e realiza campanhas de arrecadação de tampinhas com moradores e escolas. Pietra acredita que as novas gerações podem ter um papel importante nessa transformação. “Todo mundo quer um futuro bom, uma carreira boa, mas a gente precisa cuidar do que a gente tem antes”. E daqui 10 anos? Pode até parecer algo distante para quem ainda está na escola ou começando a faculdade. Mas, quando o assunto é clima, as decisões tomadas hoje podem influenciar o futuro. Matheus espera que, daqui 10 ou 20 anos, problemas como eventos climáticos extremos, desmatamento e enchentes sejam menos frequentes. “Isso (cuidar do meio ambiente) precisa ser uma iniciativa de todos”. Para Pietra não é preciso esperar uma grande transformação para começar. A mudança pode estar em atitudes pequenas, repetidas todos os dias. “Se a gente vive em um lugar onde a gente não conserva, a gente não está nos conservando”, afirma. Um passo por vez A ideia também é defendida por Alessandra. Para ela, a responsabilidade pela preservação não deve ser colocada nas mãos de outra pessoa. “Dê o primeiro passo. Faça sua parte. Escolha fazer o que é certo. Junte-se às pessoas boas e se torne uma pessoa melhor”. A mensagem combina com o próprio nome da organização. Segundo ela, cada pessoa pode parecer pequena diante dos desafios ambientais, mas a união de várias iniciativas pode gerar mudanças. “Nós, da ONG Formiguinhas, somos pequeninas no tamanho, mas gigantes na vontade de fazer do nosso planeta um mundo melhor”.