Tomé e Anna sugerem a quem deseja aprender um idioma o foco em atividades do cotidiano (Alexsander Ferraz/AT) “Se você não fizer, o tempo vai passar mesmo assim”. Foi com esse pensamento que Daniel Nogueira Cabral, de 25 anos, decidiu investir no aprendizado do inglês. Morador de Vila Margarida, em São Vicente, ele começou a estudar pensando nas exigências do mercado de trabalho e nas viagens que sonha fazer. Curioso e acostumado a consumir séries e músicas em inglês, Daniel já tinha algum contato com o idioma antes de iniciar um curso. A confiança para utilizá-lo, porém, veio cerca de um ano depois, durante uma viagem. “Precisei usar o inglês no aeroporto e vi realmente que confiava”, conta. Para ele, que trabalha como escrevente de gabinete, o domínio do idioma também abriu portas profissionais. Agora, o próximo desafio é o espanhol. Para a pedagoga trilíngue Isabella Teixeira da Silva, também de 25 anos, “conhecer outras línguas não significa simplesmente conseguir traduzir uma palavra de um idioma para outro. Existe uma questão de conseguir estabelecer uma ponte entre pessoas que possuem repertórios linguísticos diferentes”. Educadora de Educação Infantil Bilíngue e moradora do Campo Grande, em Santos, ela explica que tem contato com alunos e famílias de várias partes do mundo. Em sua carreira, o inglês não foi apenas um diferencial, mas um requisito. Isabella afirma que o domínio do idioma foi fundamental para conseguir um estágio e ajudou a ampliar suas possibilidades profissionais. Das músicas à interpretação A curiosidade também pode ser o primeiro passo para aprender uma nova língua. No caso de Anna Sayuri Tomimoto Vaz, de 23 anos, um filme musical despertou esse interesse. Professora e moradora do Embaré, ela conta que se apaixonou pelo inglês aos 6 anos, quando passou a ouvir as músicas de High School Musical e quis entender o que estava sendo cantado. Na mesma época, iniciou as aulas de inglês. Anos depois, na faculdade de Serviço Social, o inglês abriu uma porta inesperada no ambiente acadêmico. Anna acompanhou a visita de professores da África do Sul à universidade, ajudando na comunicação deles com os docentes da instituição. Do inglês ao mandarim Depois de 20 anos ensinando inglês, Tomé Deolim Gonçalves acompanhou as mudanças no interesse dos estudantes por outros idiomas. Professor na Wizard e morador do Macuco, ele afirma que, atualmente, o mandarim vem ganhando espaço entre os alunos e é o segundo idioma mais procurado, só atrás do inglês. A procura está relacionada à curiosidade e às oportunidades em empresas multinacionais. “De quatro anos para cá, o mandarim teve um crescimento absurdo na procura”. Tomé começou a estudar inglês aos 14 anos, em 1997, motivado pelo interesse em músicas e na cultura pop. Mais tarde, decidiu seguir a carreira de professor. Para dele, se antes o acesso ao material era restrito, atualmente o excesso de informações pode dificultar a escolha de conteúdos de qualidade e até mesmo indicar por onde começar. Por isso, a dica aos jovens é começar “com o que realmente gostam”. Música, séries, videogames, culinária e outros assuntos do cotidiano podem ser a porta de entrada para o aprendizado. Entre tantas experiências como professor, uma foi especialmente marcante. Tomé lembra de um aluno que enfrentava muitas dificuldades com o inglês e pensou em desistir. Mais tarde, o jovem participou de entrevista para um estágio em uma multinacional e conseguiu a vaga. “Ele chorou, me abraçou e disse: ‘Consegui por causa de você. Obrigado por não ter desistido de mim’”.