Ana Luiza já guarda dinheiro, mas ainda não se sente segura em relação ao futuro financeiro (Divukgação) A aposentadoria parece um assunto distante para quem está começando a vida adulta. Aos “vinte e poucos anos”, os planos costumam envolver estudos, viagens, independência financeira e a construção de uma carreira. Mas há quem já esteja pensando em como será a vida daqui a algumas décadas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É o caso do assistente administrativo e porteiro Fernando Tenório de Jesus, de 29 anos, morador do Macuco, em Santos. Ele começou a pensar na aposentadoria aos 19 anos, quando viu uma mulher de 65 anos trabalhando no antigo emprego. “Eu fiquei pensando: ‘Nossa, tenho que tentar me aposentar antes para aproveitar a vida”, conta. Desde então, Fernando mantém uma reserva financeira. Ele diz que prefere investir pensando no futuro a gastar tudo com planos imediatos. A meta é acumular patrimônio suficiente para ter uma renda que permita manter o poder de compra ao longo dos anos. Afinal, a aposentadoria pode estar distante no calendário, mas as decisões financeiras que ajudam a construí-la começam muito antes. Presente pesa Se Fernando começou cedo a se organizar, a analista de Sistema de Gestão Integrada (SGI) Ana Luiza Barboza, de 25 anos, do Gonzaguinha, em São Vicente, ainda tenta encontrar equilíbrio entre o presente e o futuro. Ela começou a pensar na aposentadoria aos 22 anos e define o primeiro pensamento que teve sobre o assunto em uma palavra: preocupante. Ana já guarda dinheiro e chegou a contratar uma previdência privada. Mesmo assim, afirma que ainda não se sente tranquila financeiramente. Quando questionada se prefere investir para a aposentadoria ou realizar projetos no presente, ela é direta: “Com certeza usar para planos atuais”. A jovem acredita que o INSS continuará existindo, mas não considera que o beneficio será suficiente para garantir a tranquilidade que deseja. Entre as principais dificuldades para guardar dinheiro, cita as necessidades do dia a dia. Tempo como aliado Para o gerente de investimentos Alexandre Moura, começar cedo pode facilitar a construção de uma reserva para a aposentadoria. Segundo ele, “quanto maior o período de acumulação, menor tende a ser o esforço mensal necessário para alcançar determinado patrimônio”. Ele recomenda que o jovem comece traçando objetivos e entendendo a própria realidade financeira. Saber quanto ganha, quanto gasta e evitar dívidas caras são passos importantes antes de escolher onde investir. Moura sugere que guardar 5% da renda pode ser um ponto de partida para quem está começando, desde que o valor caiba no orçamento. A orientação é revisar os objetivos anualmente e ajustar as contribuições conforme a renda e as necessidades mudarem. Planejar sem deixar de viver Pensar na aposentadoria não significa deixar de realizar sonhos no presente. Moura recomenda trabalhar com cenários, e não com certezas. Inflação, mudanças na renda, objetivos pessoais, perfil de risco e alterações na legislação devem ser considerados e revisados ao longo da vida. “O objetivo do planejamento financeiro não é transformar o presente em uma espera pelo futuro. É encontrar equilíbrio”, afirma. Onde investir O gerente de investimentos Alexandre Moura afirma que a escolha entre previdência privada e investimentos feitos por conta própria depende do perfil de cada pessoa. A previdência privada pode oferecer vantagens tributárias e sucessórias em determinadas situações, além de facilitar a disciplina de longo prazo. Já outros investimentos podem apresentar diferentes níveis de liquidez, risco e rentabilidade. “É preciso analisar custos, tributação, perfil de investimento, prazo e objetivo”, orienta.