(Adobe Stock) Dinamismo, clima leve, perspectivas de crescimento e propósito são expressões que a chamada Geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, faz questão de serem rigorosamente cumpridas quando o assunto é trabalho. No entanto, isso nem sempre acontece no mercado tradicional, o que não conquista o jovem. “Empresas sem perfil inovador e com ambiente de trabalho conturbado não atraem a Geração Z, que busca por clima leve, empático e de crescimento”, afirma o especialista em Relações de Trabalho e Emprego, Roberto Martins, com mais de 25 anos de experiência em gestão de RH. Rapidez e equilíbrio O motivo é que, segundo Martins, o mercado de trabalho tradicional, “mesmo sendo fonte de renda de 99% das famílias, não mostra tanta ostentação quanto as redes sociais e ganhos rápidos, fatores estes de extrema importância e atração dessa geração, que deseja crescer rápido, ganhar rápido e aproveitar o quanto antes os resultados de suas conquistas”. Fundador da Rising Capital Humano, em Santos, e também com 25 anos de experiência com Gestão de Pessoas, Fábio Sartori vai na mesma linha e acrescenta outro ponto importante. “Os jovens entendem como um ambiente de trabalho ideal aquele que prioriza a qualidade de vida e sem excesso nas longas jornadas de trabalho. Ou seja, empresas que culturalmente têm o hábito de trabalhar em jornadas extensas perdem a atratividade para este público mais jovem, pois a geração quer equilibrar trabalho e vida pessoal”. Falta de apego a uma empresa tem interpretações A falta de “apego” do jovem a uma empresa, causando trocas sucessivas de emprego, pode se transformar em uma faca de dois gumes, observa o especialista em Relações de Trabalho e Emprego, Roberto Martins. “Se ele investe em sua formação acadêmica, cursos extracurriculares e tem metas e objetivos claramente definidos para sua carreira, trocar de empresa por uma oportunidade melhor é considerado muitas vezes normal e arrojado. Porém, ao trocar de empresa por pequenos valores ou benefícios já não é tão bem-visto, seja por recrutadores e empresas, fazendo com ele inclusive seja rejeitado em processos seletivos por não se mostrar fiel as organizações”, explica. Para Fábio Sartori, fundador da Rising Capital Humano, existem duas questões muito fortes para este cenário. “Essa geração tem muito mais informação que a Geração X. Isso ajuda muito, mas também causa, em certos momentos, algumas dificuldades em filtrar o que é bom do que não é. A partir disso, quando um jovem compara o que ele vive profissionalmente para o que a internet mostra e/ou o amigo vive, é comum ele querer buscar um novo emprego que seja melhor”, explica. A outra, segundo Sartori, é a relação do jovem com a liderança. “Se o jovem entende que o líder não consegue evoluir a sua carreira, ele simplesmente busca um outro lugar onde consiga isso e que tenha um líder no qual ele confie e que possa contribuir positivamente”. Driblando a falta de maturidade O fundador da Rising Capital Humano, Fábio Sartori, afirma que os jovens de hoje estão menos preparados para uma entrevista de emprego do que os pertencentes a gerações anteriores. O motivo é simples. “Hoje é normal que os jovens entrem mais tarde no mercado de trabalho, lá pelos 24, 25 anos. Isso traz uma demora no desenvolvimento da maturidade profissional, ocasionando certa falta de preparo por falta de vivência no mercado de trabalho. Um trabalho prévio de preparação sempre ajuda para estes casos”, argumenta. Já o especialista em Relações de Trabalho e Emprego, Roberto Martins, lembra que entrevistas para contratação de funcionários sempre trazem desconforto para os candidatos despreparados, enquanto geralmente é mais fácil para profissionais seguros de suas habilidades. “Para muitos profissionais, o fator emocional se torna o principal obstáculo: possuem experiência, ótimos currículos, mas ficam nervosos e não conseguem um bom desempenho”, completa. Martins observa que a entrevista de emprego é uma receita onde todos os ingredientes se encaixam, todos na mesma medida. “Outras gerações, diferentes das que temos atualmente, sabem se comportar e se apresentar de forma mais adequada, enquanto os mais jovens ainda estão aprendendo isso. Esse encontro precisa ser muito bem trabalhado. Uma entrevista de emprego envolve muitos fatores: tempo, investimento, incertezas e muita dedicação, seja da empresa que busca por um profissional que lhe atenda, seja pelo candidato que precisa se apresentar da forma mais adequada e, consequentemente, conquistar a vaga”, completa. Empreendedorismo é um bom caminho. Mas cuidado O empreendedorismo tem sido um caminho procurado pelos jovens em razão do sonho de possuir o próprio negócio e de ser o dono de seus horários e ganhos, lembra o especialista em Relações de Trabalho e Emprego, Roberto Martins. E não necessariamente por falta de oportunidades. “O empreendedorismo é apresentado hoje de forma muito mais fácil e didática. Sejam em cursos de nível superior ou por orientação técnica, ele tem se tornado o foco de muitos jovens, que não conheciam essa prática. Oportunidades, vagas de emprego não são um problema, até porque existem muitas vagas em aberto. Nesse aspecto o que realmente dificulta é a ausência de profissionais qualificados e atualizados com as novas tendências e exigências empresariais”, argumenta. Diante disso, o fundador da Rising Capital Humano, Fábio Sartori, alerta para um detalhe fundamental de olho nos que desejam seguir este caminho. “Um erro que muitos jovens cometem é empreender por não terem emprego, como se fosse um hobby. Neste caso, não precisamos de muitos insumos para saber que não dará certo, mas o que há em comum entre empreender ou desenvolver uma carreira brilhante está no engajamento: para ambos é essencial para o sucesso profissional”.