A bebida vem deixando de ocupar o posto de combustível para a diversão. Levantamento divulgado no ano passado pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) indica que 46% dos jovens entre 18 e 24 anos não consomem álcool, enquanto outros 20% bebem apenas uma vez por mês ou menos. Essa mudança comportamental vem provocando movimentos na indústria de bebidas, com o crescimento das opções zero álcool, no caso das cervejas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A expansão chama atenção por não ser pontual: desde 2020, o volume vendido cresce de forma contínua. E tem despertado a atenção de gigantes como Ambev, Heineken e Grupo Petrópolis. De acordo com levantamento do Euromonitor, os investimentos têm razão de ser - a expectativa é de que os brasileiros consumam 885 milhões de litros de cerveja sem álcool nesse ano. Outro dado relevante: o País já é o segundo maior mercado mundial de cerveja zero, apontam os dados da World Brewing Alliance (WBA), associação comercial internacional da indústria cervejeira. Um dos sinais dessa mudança comportamental é a chegada do conceito de Zebra Striping (como listras de zebras, alternadas), que revela consumidores que alternam bebidas alcoólicas e não alcoólicas em uma mesma ocasião, pressionando a indústria por formulações com menor teor alcoólico, redução de açúcar e propostas mais equilibradas. A Heineken 0.0, por exemplo, é a cerveja sem álcool mais vendida e consumida no Brasil. A marca lidera o mercado nacional, impulsionada pela aceitação de seu sabor similar à versão original e ampla disponibilidade. Outros rótulos com mesma característica estão à disposição, como Budweiser Zero, Corona Cero, Estrella Galícia 0,0 e Brahma 0,0. Enquanto isso, empresas como a Diageo, maior empresa de bebidas destiladas do mundo e que possui um portfólio de mais de 200 marcas, como Johnnie Walker, Smirnoff, Tanqueray, Guinness e Ypióca, apostam na conscientização do consumo. Uma das iniciativas nesse sentido é a DrinkIQ, programa que visa a “conscientização coletiva sobre o consumo de álcool, elevando a percepção pública sobre os efeitos do álcool, apoiando o consumo responsável e combatendo o uso nocivo da bebida”. Já a Ambev tem apostado em marcas que oferecem sabor e sofisticação (premiumização) e em bebidas prontas para beber (RTDs), como a marca Beats. Lançamentos como a Stella Artois Pure Gold visam atender à demanda por produtos com menos calorias e sem glúten. Além disso, a empresa informa em seu site que, na última década, investiu mais de R\$ 1,4 bilhão em iniciativas para fomentar o consumo responsável. “Fazemos isso por meio de diversos projetos, ações e eventos, além de colaborar com órgãos públicos e privados para desenvolver e apoiar a criação de políticas públicas voltadas ao consumo responsável”. Em números Levantamento do Cisa indica, ainda, que o uso abusivo de álcool diminuiu na população em geral, passando de 17% em 2023 para 15% em 2025, com predominância entre os homens (65%). Já as mulheres lideram no quesito abstinência (59%). Já a percepção individual sobre o consumo também mudou: 63% dos entrevistados afirmou não beber no ano passado, contra 52% em 2023. Já quanto à quantidade ingerida por ocasião, a maioria (39%) consome de uma a duas doses, mas ainda há grupos vulneráveis - homens, entre 25 e 44 anos, com ensino médio e residente nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde o consumo de sete ou mais doses por ocasião é mais frequente.