Enquanto os torcedores comemoram gols com gritos, buzinas e fogos de artifício, muitos cães e gatos enfrentam momentos de medo e sofrimento. Com uma audição muito mais sensível do que a humana, os animais domésticos costumam sentir os efeitos do barulho de forma intensa, especialmente durante grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a médica-veterinária Cintia Ghorayeb, especialista do Veros Hospital Veterinário, sons altos e repentinos são frequentemente interpretados pelos pets como sinais de perigo. "Os pets possuem audição muito mais sensível do que a humana, o que faz com que sons altos e inesperados sejam percebidos com mais intensidade. Esses estímulos sonoros geram sofrimento emocional, pois eles associam sons altos e inesperados a situações de risco", explica. Os sinais de estresse podem variar. Alguns animais apresentam tremores, respiração acelerada, salivação excessiva e tentativas de se esconder. Outros ficam agitados, latem ou miam mais do que o normal e podem até tentar fugir. Em situações mais graves, o medo pode desencadear vômitos, perda de apetite, aumento da pressão arterial, taquicardia, crises respiratórias e até convulsões, principalmente em animais idosos ou que já possuem doenças cardíacas e neurológicas. Além dos riscos à saúde, o pânico também aumenta as chances de acidentes domésticos e fugas. Ao tentar escapar dos barulhos, muitos pets podem se machucar em portas, janelas, grades e portões ou correr para a rua, ficando vulneráveis a atropelamentos. Para evitar problemas durante os jogos, especialistas recomendam algumas medidas simples. 1. Crie um ambiente tranquilo Antes do início das partidas, prepare um cômodo mais silencioso da casa para o animal. Fechar portas, janelas e cortinas ajuda a reduzir os ruídos externos e os clarões provocados pelos fogos. 2. Use sons para mascarar o barulho Música ambiente, ventiladores, televisão em volume moderado ou ruídos brancos podem ajudar a suavizar os sons das comemorações e reduzir o impacto dos fogos. 3. Respeite o esconderijo escolhido pelo pet Muitos cães e gatos procuram espontaneamente locais pequenos e protegidos para se sentirem mais seguros. O ideal é não forçá-los a sair desses espaços nem mantê-los presos por coleiras durante os momentos de estresse. 4. Deixe objetos familiares por perto Cobertores, almofadas, brinquedos e caminhas com o cheiro do próprio animal transmitem conforto e ajudam a diminuir a ansiedade. 5. Considere recursos específicos Alguns animais respondem bem ao uso de feromônios sintéticos, disponíveis em difusores elétricos, ou protetores auriculares desenvolvidos para pets. A indicação deve ser feita com orientação veterinária. 6. Não deixe o animal sozinho A presença do tutor costuma transmitir segurança. Especialistas recomendam permanecer próximo ao pet, sem punições ou demonstrações de impaciência. Caso o animal procure interação, brincar ou oferecer atividades agradáveis pode ajudar a associar os sons externos a experiências positivas. 7. Reforce a segurança da casa Antes dos jogos, verifique se portões, telas, grades, janelas e portas estão bem fechados. A prevenção é fundamental para evitar fugas durante momentos de pânico. Quando procurar ajuda? Se o medo for intenso ou recorrente, o acompanhamento veterinário é recomendado. Alguns animais podem se beneficiar de treinamento comportamental para adaptação gradual aos sons ou, em situações específicas, de medicamentos prescritos por um profissional. Cintia Ghorayeb alerta que o uso de calmantes por conta própria pode ser perigoso. "O uso de calmantes nunca deve ser feito sem orientação profissional. Alguns medicamentos podem causar efeitos adversos importantes e mascarar o sofrimento sem realmente reduzir o medo", destaca. Com planejamento e alguns cuidados simples, é possível garantir que os dias de festa para os torcedores não se transformem em momentos de sofrimento para os animais de estimação.