O jejum intermitente segue como uma alternativa interessante para quem busca perda de peso e melhora do metabolismo (Divulgação) O Jejum Intermitente conquistou milhões de adeptos no mundo por seus benefícios: emagrecimento, melhor sensibilidade metabólica e, em alguns casos, sensação de leveza e energia. Mas, segundo um estudo recente publicado pela revista científica Cell e replicado em forma reduzida em humanos, o jejum intermitente pode trazer um efeito colateral inesperado: a desaceleração do crescimento capilar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora os resultados ainda sejam preliminares, as descobertas foram suficientes para despertar atenção de dermatologistas e endocrinologistas, especialmente em quem prioriza o cabelo ao embarcar em dietas restritivas. Os achados da pesquisa No estudo com camundongos, animais submetidos a regimes de jejum intermitente , como a janela alimentar de 8 h seguida de 16 h de jejum (o chamado protocolo 16/8) ou o “alternate-day fasting” tiveram a regeneração dos pelos severamente comprometida. Após 30 dias, os animais com alimentação livre já haviam recuperado grande parte da pelagem; já os submetidos ao jejum apresentavam apenas crescimento parcial mesmo depois de 96 dias. O motivo, segundo os pesquisadores, está nas chamadas células-tronco dos folículos capilares (HFSCs, na sigla em inglês). Durante o jejum, há um estímulo à lipólise dos adipócitos dérmicos, ou seja, a gordura da pele é mobilizada, liberando ácidos graxos livres (FFAs) ao redor dos folículos. Essa mudança na “matéria-prima” usada pelas células, aliada a um aumento de radicais livres (estresse oxidativo), provoca morte celular (apoptose) das HFSCs, impedindo a regeneração normal dos fios. Preocupados com a relevância humana, os cientistas fizeram um pequeno ensaio clínico com 49 adultos saudáveis. O protocolo usado, jejum diário de 18 h seguido de janela alimentar, resultou, em média, em uma redução de 18% na velocidade de crescimento dos cabelos, comparado ao grupo que não jejuou. Os autores do estudo observam que a população humana é muito variada, e que o metabolismo dos humanos difere bastante dos roedores. Ou seja: os efeitos em humanos podem ser menos intensos ou até variar conforme genética, dieta, ritmo de vida. O que os especialistas recomendam Especialistas consultados depois da publicação da pesquisa alertam que o jejum intermitente, embora benéfico em vários aspectos, não é a “fórmula mágica” para todos. Se você tem histórico de queda de cabelo, genética favorável à calvície ou já percebe afinamento dos fios, pode ser prudente adiar regimes de jejum estrito. Também é lembrado que hábitos saudáveis como hidratação adequada, alimentação balanceada (com vitaminas e minerais essenciais), controle de estresse e sono de qualidade continuam sendo pilares fundamentais para a saúde capilar, independentemente da dieta escolhida. Além disso, há indícios de que antioxidantes, por exemplo a Vitamina E, podem ajudar a mitigar o estresse oxidativo nas células-tronco durante o jejum. Embora interessantes, essas possibilidades ainda exigem mais pesquisas para se tornarem recomendações clínicas. O que falta saber e por que não vale generalizar O estudo em humanos teve amostra pequena (49 pessoas) e período curto de duração. Isso significa que seus resultados, embora relevantes, não podem ser extrapolados como regra geral. Cientistas alertam para a necessidade de estudos maiores e de longo prazo. O efeito observado nos camundongos foi mais grave, talvez pelo metabolismo mais rápido e pela diferença biológica entre espécies. Para humanos, o impacto real sobre têm-perda de volume ou rarefação capilar a longo prazo permanece desconhecido. Não está claro se outros fatores, como tipo de alimentação durante a janela de alimentação, consumo de nutrientes essenciais, nível de estresse, atividades físicas, influenciam no grau de risco para o cabelo. O jejum intermitente segue como uma alternativa interessante para quem busca perda de peso e melhora do metabolismo. Porém, e é importante frisa, os novos dados científicos indicam que ele pode ter um efeito colateral pouco antecipado: a desaceleração do crescimento capilar. Para quem valoriza os fios, talvez valha a pena repensar a adoção de regimes restritivos de alimentação ou, no mínimo, avaliar com um profissional de saúde ou nutricionista de confiança.