(AdobeStock) “Tá criando coisa que não aconteceu. Juro que aquela foto não era eu. Deve ser IA, montagem, sei lá”. O trecho viral da música do artista Kew tem tomado conta das redes sociais e traz, logo de cara, um assunto que já virou rotina: a inteligência artificial. Ela está em tudo, seja para criar conteúdo, fazer uma montagem ou até dar aquela ‘ajudinha’ em algum trabalho. Mas até que ponto essa ferramenta continua sendo nossa aliada? Tendências nas redes sociais, na edição de fotos e até na correção de uma mensagem, a IA ajudar muito a vida de quem a utiliza, em especial para a Geração Z, que já domina o queridinho ChatGPT, o Gemini e outros. No entanto, o uso da tecnologia já virou algo massivo e, para um público que cresce com a IA na rotina, é fácil confiar sem pensar duas vezes. Mas saber validar o que ela entrega ainda é essencial, como explica a especialista em IA e tecnologia e colunista do domingo+, de A Tribuna, Gabriela Morais. Às vezes, o que a gente mais faz é aquele clássico ‘copiar e colar’ da resposta da IA e pronto. O problema é que, nesse processo, muita coisa acaba nem sendo checada, o que abre espaço a erros e dá margem a um questionamento: será que a IA pode deixar os usuários com mais dificuldade na hora de pensar, principalmente nos estudos? De cara, vamos com a resposta de Gabriela: “Depende de como você usa. A IA pode funcionar de duas formas, sendo a primeira como atalho, em que você copia a resposta e segue em frente, e a segunda, a correta, como academia mental: você pergunta, entende, questiona, valida e evolui. Quando o estudante terceiriza o esforço cognitivo, o cérebro deixa de ‘malhar’ e o aprendizado, como músculo, precisa de esforço. O problema não é a tecnologia, mas sim a forma como o humano usa a tecnologia”. #Uniãosinistra A especialista reforça que a geração mais nova ainda escorrega ao não verificar o que recebe da IA e, com isso, o pensamento crítico vai ficando de lado. Aquele desconforto da dúvida, do “será que é isso mesmo?”, começa a desaparecer. “Por outro lado, ela também ajuda e muito na geração de ideias e em explorar novos pontos de vista. O equilíbrio nasceria de um letramento em IA que faria com que esse jovem entendesse a regra do jogo da IA, para cocriar com ela e não apenas copiar e colar a resposta”. Para isso, vale sempre parar e analisar o que está sendo entregue, e até usar algumas ‘diquinhas mágicas’ para validar as informações e fazer da ferramenta uma aliada de verdade (confira destaque ao lado). “Se o jovem utiliza a IA como o primeiro passo, está terceirizando o seu cérebro. Agora, se ele usa a IA como apoio, está potencializando o aprendizado. A dica está em tentar primeiro organizar as suas ideias antes de colocar para uma IA. Use a IA para debater sobre a demanda em questão e sempre revise os resultados gerados”. A inteligência artificial não está formando uma geração mais ou menos inteligente. Como comenta a colunista de A Tribuna, a IA coloca mais poder nas nossas mãos — e cabe a cada um decidir como usar isso. #Substituição? A tecnologia já vem substituindo pessoas em algumas tarefas, não necessariamente cargos inteiros, como explica Gabi Morais. Atividades mais repetitivas, operacionais e previsíveis acabam sendo as mais impactadas e, consequentemente, “mais ameaçadas, ao mesmo tempo que novas funções também estão surgindo”. O que fazer Nunca peça só a resposta para a IA, solicite a explicação Questione a IA: “isso está correto?”, “há outra visão?” Compare com outras fontes Reescreva com suas próprias palavras Use a IA para entender, não para substituir seu raciocínio Buscar o letramento em IA em cursos presenciais práticos