A indústria do cimento está inserida na agenda de sustentabilidade há muito tempo (Divulgação) A indústria do cimento vive um momento promissor no Brasil. De acordo com o relatório mais recente do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (Snic), o setor fechou os primeiros seis meses do ano com desempenho positivo. A comercialização do insumo no País somou 32 milhões de toneladas de janeiro a junho de 2025, alta de 3,5% em relação ao igual período de 2024. Além disso, comemora redução nas emissões de carbono, atualmente em cerca de 2% do total das emissões nacionais feitas pela indústria em geral. Para minimizar os impactos ambientais e a pressão dos preços do insumo, o uso de combustíveis alternativos nunca foi tão necessário. A preocupação ambiental é um dos nortes da atuação do setor, de acordo com o chefe de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Snic, Gonzalo Visedo. A indústria do cimento está inserida na agenda de sustentabilidade há muito tempo e a gente tem um olhar totalmente estratégico voltado à discussão das mudanças climáticas. Isso porque é um setor intensivo em emissão de CO₂. Internacionalmente, ela participa com cerca de 7% de todas as emissões produzidas pelo homem, explica. Segundo ele, o setor de cimento criou no ano 2000 o que é considerado o maior banco de dados de emissões e indicadores de sustentabilidade de um setor industrial no mundo, que conta com mais de 50 empresas atuantes pelo mundo e mais de 30 associações de indústria. COPROCESSAMENTO Segundo ele, o setor cimenteiro tem investido e ampliado fortemente em tecnologias como o coprocessamento. A atividade responsável pela transição energética substitui o combustível fóssil por resíduo industrial, comercial, doméstico e biomassas. O coprocessamento atingiu sua melhor marca em 2023 (última medição realizada), antecipando a meta prevista em três anos. Foram 3,25 milhões de toneladas de resíduos processados. A tecnologia evitou a emissão de aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera em relação aos métodos mais tradicionais de produção. A maior parcela de emissão no nosso processo produtivo está na produção de clinquer, que é um elemento intermediário na produção de cimento. Então, a gente utiliza matérias-primas alternativas para reduzir a pegada de carbono no nosso processo, acrescenta Visedo. Dentro do eixo combustíveis alternativos, a entidade propõe a redução dos combustíveis fósseis, como o coque de petróleo. A gente está numa agenda ambiciosa de substituição desse energético por fontes de combustível alternativo, frisa o chefe de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Snic. Gonzalo Visedo, chefe de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Sindicato Nacional da Indústria de Cimento, acredita que setor é exemplo de redução na emissão de carbono (Divulgação) AÇÕES DO SETOR A indústria brasileira do cimento está à frente dos debates do Plano Clima, que será apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro, em Belém (PA), como uma das referências globais pela baixa emissão no processo produtivo. Para você ter uma ideia, a gente tinha 85% da nossa matriz energética de coque de petróleo e uns 15% de coprocessamento há 10 anos. A gente dobrou esse número e alcançou hoje patamares de 30%, 32% na nossa matriz. A busca continua para aumentar esse índice ainda mais, frisa Visedo. A gente tinha como ambição alcançar esses patamares daqui a cinco anos, e estamos conseguindo antecipar as nossas metas em termos de substituição energética. PROJEÇÕES O consumo de cimento, que está sendo sustentado ainda pela grande quantidade de lançamentos imobiliários no ano passado, pelo consumo do autoconstrutor de casas populares na periferia das grandes cidades e pelos investimentos em infraestrutura logística, poderá desacelerar nos próximos meses. As atuais projeções apontam para um crescimento de 2,1% em 2025. Se o último ano foi o mais quente da nossa história, foi também aquecido na defesa dos interesses da indústria, buscando um equilíbrio entre o ambiental, o social e o econômico, reduzindo a pegada de carbono do setor, fornecendo o insumo indispensável para construções de casas e obras de infraestrutura, gerando qualidade de vida para população, afirma o presidente do Snic, Paulo Camillo Penna, em material divulgado pela entidade.