Um em cada dez trabalhadores do país atua diretamente no setor ou em sua cadeia de suprimentos (AdobeStock) A indústria de alimentos se consolidou como um dos principais motores da economia brasileira em 2024. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentação (Abia) revelam que um em cada dez trabalhadores do país atua diretamente no setor ou em sua cadeia de suprimentos, que engloba agricultura, pecuária, embalagens, máquinas, equipamentos e serviços de transporte. No período, foram criadas 72 mil novas vagas diretas, ou 25% dos postos gerados pela indústria de transformação, além de 288 mil indiretas, totalizando 360 mil oportunidades de emprego. A indústria processou 68% da produção agropecuária nacional, com destaque para produtos como aves (Santa Catarina), cacau (Bahia), café (Espírito Santo), goiaba (São Paulo), leite (Minas Gerais), mandioca (Pará) e suínos (Rio Grande do Sul). O presidente executivo da Abia, João Dornellas, ressalta a importância do setor para a economia: “Apesar do contexto desafiador para os custos de produção, a indústria de alimentos apresentou um desempenho positivo, contribuindo para a geração de emprego e renda no país”. Ele destaca a relevância da agricultura familiar, que tem forte presença na cadeia produtiva. “Somos um parceiro fundamental da agropecuária brasileira. Compramos grande parte do que é produzido no campo, transformamos, geramos emprego e agregamos valor aos produtos do agronegócio. Nossa relação com os produtores rurais oferece previsibilidade de comercialização e receita, além de suporte técnico e boas práticas para compliance e sustentabilidade”, afirmou. O setor também apresentou um expressivo crescimento econômico. Em 2024, o faturamento da indústria de alimentos atingiu R\$ 1,277 trilhão, um avanço de 9,98% em relação ao ano anterior. Isso corresponde a 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Do total, 72% (R\$ 918 bilhões) vieram do mercado interno, enquanto 28% foram oriundos do comércio exterior. A produção física do setor também teve avanço, registrando um crescimento de 3,2%, com a marca de 283 milhões de toneladas de alimentos. Entre os segmentos de maior destaque estão o food service, que cresceu 10,4%, e o varejo alimentar, com expansão de 8,8%. Esse desempenho positivo é atribuído aos investimentos das indústrias na modernização das plantas fabris, aquisição de máquinas e equipamentos e ações voltadas à sustentabilidade. Desde 2022, o Brasil ocupa a liderança mundial na exportação de alimentos industrializados em volume. Em 2024, o País exportou 80,3 milhões de toneladas, um crescimento de 10,4% em relação a 2023. A receita alcançou um patamar recorde de US\$ 66,3 bilhões, um aumento de 6,6% frente aos US\$ 62,2 bilhões registrados no ano anterior. No acumulado de quatro anos (2020 a 2024), o setor teve um crescimento de 72,7% em valor e 29,2% em volume exportado. Os produtos brasileiros foram comercializados em mais de 190 países, com destaque para os mercados da Ásia (38,7% das exportações, sendo a China a principal compradora, com 14,9% de participação), Liga Árabe (18,9%) e União Europeia (12,6%). Entre os produtos mais exportados estão carnes, produtos do açúcar, derivados de soja, óleos e gorduras, sucos e preparações vegetais.