Incêndio na Vila Socó, em Cubatão, em 1984 (Acervo/AT) Ao sinal de emergência, as empresas do Polo de Cubatão se unem para combater incêndios ou vazamentos, somando esforços ao Corpo de Bombeiros e à Defesa Civil, entre outras entidades. Isso há 47 anos. O Plano de Auxílio Mútuo (PAM) virou, desde então, referência de proatividade e parceria entre as indústrias, com respeito da comunidade da região. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Atualmente, 22 empresas fazem parte do PAM, que realiza reuniões mensais, onde são tratadas todas as ocorrências do período, com as devidas ações desenvolvidas. “A gente faz também muitos workshops para passar ao pessoal os novos conhecimentos que todo dia surgem, assim como novidades na área de emergência, não só na parte de combate a incêndio, mas também na área de primeiros socorros, atendimento com produto químico perigoso. Isso é importante que o pessoal conheça”, explica Orlando Carvalho, que foi coordenador do PAM de 2005 a 2015, atuando em momentos marcantes para a Baixada Santista, como o incêndio na Ultracargo, na Alemoa, em Santos. A ocorrência durou nove dias e envolveu um grande aparato de pessoas e recursos para contornar a situação (leia mais adiante). Na Ultracargo, em Santos, em 2015: duas situações graves que exigiram empenho mútuo de empresas, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros na Baixada Santista (Alberto Marques/Arquivo AT) História Ele explica que a ideia da criação do PAM surgiu quase duas décadas antes da inauguração, ainda em 1959, o que o tornaria pioneiro no País. Contudo, apenas quase duas décadas depois, o Ciesp-Cubatão criou um grupo técnico formado por representantes das indústrias, sob coordenação do então 6º Grupamento de Incêndios. Em dezembro de 1977, esse grupo apresentou uma minuta do primeiro manual operacional do PAM. “No momento da criação, foi oficializado um termo de adesão, onde todos os gerentes-gerais, superintendentes e diretores das empresas do Polo assinaram, comprometendo-se a cumprir o manual de procedimentos e o estatuto, que está vigente até hoje”, acrescenta Carvalho. Atualmente, existem 4 PAMs na região: Cubatão: Porto de Santos; Guarujá e o PIE (Plano Integrado de Emergência), da Associação Brasileira de Terminais Líquidos (ABTL). Integração O ex-coordenador do PAM Cubatão explica que todos os Planos de Auxílio Mútuo trabalham ligados numa mesma frequência de rádio. Assim, no momento em que surgir uma ocorrência, todos estarão cientes a necessidade de mobilização. “Na minha época, chegamos a ter 28 empresas e 12 órgãos públicos ligados ao PAM Cubatão. Então, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária, Sabesp, Cetesb, todo esse pessoal, num caso de emergência de grande porte, é acionado”, explica Orlando Carvalho. Cada empresa precisa dispor de dois brigadistas, com mais uma quantidade de proteção respiratória e roupa de bombeiro. A empresa é obrigada a levar, em condições de uso, para o local da emergência. “Existe uma norma que exige a quantidade de brigadistas que cada empresa tem que ter e o treinamento obrigatório que ele tem que ter - teórico e prático. Teórico de combate a incêndio, teórico de primeiros socorros e, depois, prático em campo de treinamento externo. Normalmente aqui na Baixada a gente usa um espaço em Monte Cabrão. São oito horas de treinamento prático, mais oito horas de primeiros socorros e outras oito horas de combate a incêndio teórico”, complementa. Ele reforça que também são feitos workshops para passar novos conhecimentos na área de emergência, não só no combate a incêndio, na área de primeiros socorros. “Toda emergência que bota em risco a comunidade, quem comanda é o bombeiro, que tem poder de polícia. Mas, como a gente conhece as pessoas, isso facilita muito. É um colegiado na emergência. Essa é a força que o PAM tem, que a gente junta ao Corpo de Bombeiros e atende à comunidade”, complementa. Ultracargo Se a trajetória do PAM de Cubatão teve, como primeiro grande desafio, o incêndio da Vila Socó, em Cubatão, em 1984, nesse século a ocorrência que exigiu maior mobilização foi na empresa Ultracargo, em abril de 2015. Durante oito dias, houve uma grande mobilização de pessoas e recursos para resolver a situação. E Orlando Carvalho, à época coordenando o PAM de Cubatão, viveu isso diretamente. “A gente costuma ver o que a gente teve ali um aprendizado. Gastamos 400 mil litros de líquido gerador de espuma. 8 bilhões de litros de água, foram dois navios da Petrobras puxando água salgada no pier da BTP mais o dos Bombeiros, e outros quatro rebocadores puxando água para alimentar as viaturas. Isso por dias consecutivos. Veio até espuma de fora, dos Estados Unidos, a Cold Fire. Foi uma operação de guerra”.