A gordura no fígado, chamada de esteatose hepática, ocorre quando há acúmulo excessivo de gordura nas células do órgão. A condição pode estar relacionada a fatores metabólicos, como excesso de peso, resistência à insulina, diabetes e alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos. Atualmente, a forma associada à disfunção metabólica é denominada esteatose hepática metabólica, ou MASLD. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A boa notícia é que mudanças no estilo de vida podem fazer diferença na evolução do quadro. A alimentação é uma das principais ferramentas, mas não existe um alimento isolado capaz de “limpar” ou eliminar a gordura do fígado. O objetivo é adotar um padrão alimentar que favoreça o controle do peso e da saúde metabólica. O que colocar no prato Um dos padrões alimentares mais estudados para pessoas com esteatose hepática é a dieta mediterrânea. Ela prioriza verduras, legumes, frutas, grãos integrais, leguminosas, castanhas e sementes, peixes e azeite de oliva, além de reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcares adicionados e gorduras saturadas. Na prática, algumas escolhas podem fazer parte da rotina: Verduras e legumes: podem aparecer em boa quantidade nas principais refeições, contribuindo com fibras e micronutrientes. Frutas inteiras: são opções melhores do que bebidas e sucos com açúcar, especialmente porque preservam as fibras. Feijão, lentilha e grão-de-bico: fornecem fibras e proteínas vegetais e podem substituir parte de carnes em algumas refeições. Aveia e outros grãos integrais: ajudam a aumentar o consumo de fibras. Peixes: especialmente aqueles ricos em gorduras insaturadas, podem fazer parte de uma alimentação favorável à saúde cardiovascular e metabólica. Castanhas e sementes: podem ser consumidas em pequenas porções. Azeite de oliva: é uma fonte de gordura insaturada que pode substituir outras fontes de gordura menos favoráveis. A recomendação não significa que seja necessário seguir uma dieta mediterrânea de maneira rígida. Reduzir alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, doces e excesso de gorduras saturadas já representa uma mudança importante. Diretrizes europeias também destacam a preferência por refeições preparadas em casa e a redução de fast-food e produtos ultraprocessados. O que vale reduzir Bebidas açucaradas, doces, produtos ultraprocessados, carnes processadas e alimentos ricos em gorduras saturadas devem ter o consumo reduzido. Refrigerantes e outras bebidas adoçadas merecem atenção especial porque acrescentam açúcar e calorias sem proporcionar a mesma saciedade de alimentos inteiros. Também é importante moderar o consumo de alimentos muito calóricos. Para quem precisa perder peso, uma alimentação com redução de calorias, adaptada às preferências e à realidade de cada pessoa, faz parte da estratégia de tratamento. Perder peso pode ajudar a reduzir a gordura no fígado Quando há sobrepeso ou obesidade, a perda de peso pode trazer benefícios importantes. Segundo a American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD), uma redução de cerca de 5% do peso corporal já está associada à melhora da esteatose, enquanto perdas maiores podem proporcionar benefícios adicionais sobre inflamação e fibrose. Perdas superiores a 10% estão associadas a uma maior chance de melhora da esteato-hepatite e da fibrose. Isso não significa que a pessoa deva fazer dietas extremamente restritivas ou buscar emagrecimento rápido. A estratégia deve ser individualizada, especialmente porque a gravidade da doença varia de uma pessoa para outra. Exercício também faz parte do cuidado A alimentação não é a única mudança importante. A prática regular de atividade física também é recomendada para pessoas com esteatose hepática. Exercícios aeróbicos e de resistência podem contribuir para reduzir a gordura no fígado e melhorar parâmetros metabólicos. Por isso, o tratamento costuma envolver uma combinação de alimentação equilibrada, atividade física e controle de fatores associados, como diabetes, colesterol elevado e pressão alta. Não existe “detox” para o fígado Chás, sucos, suplementos e dietas detox não substituem o tratamento da esteatose. A abordagem com melhor respaldo científico é a mudança sustentada de hábitos, com acompanhamento profissional quando necessário. Além disso, a esteatose pode ter diferentes causas e graus de gravidade. Em alguns casos, o excesso de gordura no fígado pode evoluir para inflamação e fibrose. Por isso, quem recebeu o diagnóstico deve conversar com médico e, quando indicado, nutricionista para avaliar a causa, o estágio da doença e a estratégia alimentar mais adequada. Em resumo: para ajudar a combater a gordura no fígado, a prioridade é uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, rica em vegetais, fibras e gorduras insaturadas, com menor consumo de açúcar, ultraprocessados e gorduras saturadas. Quando há excesso de peso, uma perda gradual e orientada pode potencializar os benefícios.