Quando formigamentos ficam constantes, é sinal de alerta (Divulgação / FreePik) A sensação de formigamento nas mãos ou nos pés é comum e, na maioria das vezes, acontece após permanecer muito tempo na mesma posição. Quem nunca acordou com o braço "dormente" ou sentiu a perna formigar depois de cruzá-la por vários minutos? Nesses casos, o sintoma costuma desaparecer rapidamente após a mudança de posição. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No entanto, quando o formigamento passa a ocorrer com frequência, dura mais tempo do que o habitual ou vem acompanhado de dor, fraqueza muscular ou perda de sensibilidade, o sinal merece atenção. Especialistas alertam que o problema pode estar relacionado a alterações nos nervos, na circulação sanguínea ou até mesmo no metabolismo. A sensação, descrita por muitas pessoas como "agulhadas", queimação ou dormência, ocorre quando há uma alteração temporária na comunicação entre os nervos, a pele, a medula espinhal e o cérebro. Essa interferência pode ser causada por pressão sobre um nervo, irritação nervosa ou redução do fluxo sanguíneo para determinada região do corpo. Segundo informações do MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a dormência e o formigamento são sensações anormais que podem surgir em qualquer parte do corpo, sendo mais frequentes nos dedos, mãos, pés, braços e pernas. Principais causas Entre as causas mais comuns estão a compressão de nervos, como ocorre na síndrome do túnel do carpo e em alguns casos de hérnia de disco. Doenças crônicas, como o diabetes, também podem provocar danos aos nervos ao longo do tempo, levando ao desenvolvimento da chamada neuropatia periférica. A deficiência de vitaminas do complexo B, especialmente da vitamina B12, aparece entre os fatores frequentemente associados ao problema. Alterações da tireoide, desequilíbrios de eletrólitos, problemas circulatórios, consumo excessivo de álcool e tabaco, além do uso de determinados medicamentos, também podem contribuir para o surgimento dos sintomas. Mais de 200 possíveis causas Uma revisão científica publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA) aponta que a neuropatia periférica pode provocar sintomas sensitivos, motores e autonômicos, incluindo dormência, dor, queimação e formigamento. O estudo destaca que existem mais de 200 causas possíveis para a neuropatia periférica, sendo o diabetes uma das mais frequentes. Por isso, a investigação médica costuma incluir exames para avaliar os níveis de glicose, vitamina B12 e outros parâmetros, de acordo com o histórico e os sintomas apresentados pelo paciente. Quando o sintoma é preocupante Embora muitos casos sejam benignos, alguns sinais exigem avaliação médica imediata. O alerta é maior quando o formigamento surge de forma repentina, afeta apenas um lado do corpo ou aparece acompanhado de outros sintomas neurológicos. Entre os sinais de atenção estão: Fraqueza muscular ou dificuldade para movimentar braços e pernas; Alterações na fala ou no equilíbrio; Formigamento após traumas na cabeça, pescoço ou coluna; Perda do controle urinário ou intestinal; Dor no peito e falta de ar; Alterações visuais ou confusão mental; Dormência persistente e progressiva sem causa aparente. Como investigar Observar alguns detalhes pode ajudar no diagnóstico. Os médicos recomendam anotar em quais regiões do corpo o formigamento ocorre, quanto tempo dura, se melhora com o movimento e se há sintomas associados, como dor, cãibras, queimação ou perda de força. Também é importante informar doenças já diagnosticadas, medicamentos em uso e hábitos do dia a dia, especialmente atividades repetitivas, como digitação prolongada ou trabalhos que exigem movimentos constantes das mãos. Quando os sintomas persistem ou interferem nas atividades cotidianas, a investigação pode incluir exames de sangue, avaliação neurológica, exames de imagem da coluna, eletroneuromiografia e testes para verificar a circulação sanguínea. Embora nem todo formigamento represente um problema grave, especialistas reforçam que a persistência do sintoma não deve ser ignorada. O diagnóstico precoce pode ser fundamental para identificar e tratar doenças que afetam os nervos e evitar complicações futuras.