Comparar bastidores com vitrines digitais pode custar caro para a saúde mental (Imagem gerada por IA) Você já teve a sensação de que todo mundo está vivendo algo incrível, menos você? Esse sentimento tem nome: FOMO, sigla em inglês para fear of missing out — ou, em português, o medo de estar perdendo alguma coisa. Cada vez mais presente nas redes sociais, a expressão se popularizou e, ao que tudo indica, muita gente já passou por isso. Só no TikTok, a hashtag já ultrapassa 800 mil usos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A sensação é de que outras pessoas estão vivendo experiências melhores, mais interessantes ou mais importantes do que a nossa — enquanto nós ficamos de fora. O médico psiquiatra Rogério Onofre Pereira de Souza Júnior explica que, apesar de não ser um transtorno, esse sentimento merece atenção quando começa a impactar o bem-estar, afetando o humor, a autoconfiança e até a forma como tomamos decisões no dia a dia. “Todo mundo estará lá, menos eu” e “eu preciso ir nessa festa” são algumas das frases comuns quando o assunto é FOMO e mostram como esse comportamento pode influenciar, especialmente a geração Z, na hora de tomar decisões, além de impactar a saúde mental. “Quando alguém resolve não ir a um evento, mas muda de ideia ao ver outras pessoas indo, muitas vezes o que está em jogo não é apenas a vontade de participar, mas o receio de ficar excluído, ser esquecido ou perder uma experiência que depois pode parecer imperdível”, exemplifica o médico. Por trás disso, estão mecanismos como a comparação social, a necessidade de pertencimento e a busca por validação. O problema, segundo ele, é que as escolhas deixam de ser guiadas pelo que realmente faz sentido para a pessoa e passam a ser influenciadas pelo medo de arrependimento social. Redes sociais Fazemos parte de uma geração cronicamente on-line, e as redes sociais intensificam essa sensação, já que é por elas que vemos tudo o que os outros postam, fazem, compram e conquistam. “Isso cria uma vitrine de experiências selecionadas, geralmente mostrando só o lado mais interessante, bonito ou desejável da vida”, destaca o psiquiatra. No caso de plataformas como o TikTok, esse efeito pode ser ainda mais intenso devido à velocidade, ao volume de conteúdo e à lógica do algoritmo — que entrega, em sequência, tendências, eventos, estilos de vida e “momentos imperdíveis”. “O uso mais leve do termo no cotidiano não muda o fato de que, para algumas pessoas, ele pode estar ligado à ansiedade, à comparação excessiva e ao uso compulsivo das redes”, afirma o médico. Ele ressalta, porém, que as redes sociais não afetam todos da mesma forma, já que a relação com a saúde mental é complexa e varia conforme a intensidade de uso, as vulnerabilidades individuais e o contexto de cada pessoa.