O Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia, celebrado em 12 de maio, chama atenção para a realidade de milhões de pessoas que convivem diariamente com dores crônicas que afetam a qualidade de vida. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), cerca de 2,5% da população mundial apresenta a síndrome, com maior incidência entre mulheres de 30 a 50 anos. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que aproximadamente 6,4 milhões de brasileiros sofrem com a doença. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A fibromialgia é caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga persistente, distúrbios do sono, alterações cognitivas e sintomas de ansiedade e depressão. A ausência de exames laboratoriais específicos torna o diagnóstico clínico essencial. Segundo Carlos Trindade, coordenador de pós-graduação em Clínica da Dor da Afya, os primeiros sinais podem ser sutis, como sono não restaurador, fadiga desproporcional, dor muscular que muda de local, rigidez matinal e “névoa mental”, com dificuldade de concentração e lapsos de memória. “Quando esses sintomas se tornam persistentes, especialmente em momentos de estresse físico ou emocional, ocorre a sensibilização central, quando o cérebro amplifica a percepção da dor”, explica Trindade. Diagnóstico e rotina do paciente O diagnóstico da fibromialgia segue critérios do Colégio Americano de Reumatologia, que consideram a distribuição da dor, duração mínima de três meses dos sintomas e manifestações como fadiga e distúrbios do sono. O especialista ressalta que não existe exame específico e que o entendimento do paciente sobre a doença é fundamental. “A fibromialgia não é psicogênica, é uma condição biológica integrada”, afirma. Tratamento e qualidade de vida Embora não exista cura, pacientes podem alcançar remissão clínica sustentada por meio de uma abordagem multidisciplinar. O tratamento combina medicação pontual, como antidepressivos duais e moduladores de sono, com atividade física graduada, nutrição anti-inflamatória, sono regular, terapia cognitivo-comportamental e manejo do estresse. Intervenções tecnológicas e intervencionistas, como laser, ondas de choque e neuromodulação, podem complementar a terapia. A conscientização sobre a fibromialgia é fundamental para reduzir o impacto da doença na vida cotidiana. “É importante que os pacientes entendam que a melhora depende da reorganização do estilo de vida, e não apenas de remédios”, conclui Trindade.